Os Estados Unidos ampliaram nesta semana a pressão econômica sobre Cuba ao anunciar uma nova rodada de sanções contra integrantes da cúpula política da ilha, incluindo familiares do presidente Miguel Díaz-Canel e da família Castro. A medida faz parte da estratégia da administração de Donald Trump de intensificar o isolamento econômico do regime cubano em meio à pior crise enfrentada pelo país desde a Revolução de 1959.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que as novas restrições atingem o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, sua esposa e integrantes da família dos ex-líderes Fidel e Raúl Castro. Entre os nomes incluídos estão Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, seu neto, Raúl Alejandro Castro, e Manuel Anido Cuesta, enteado de Díaz-Canel.

O anúncio ocorre pouco mais de um ano após Washington sancionar Díaz-Canel pela repressão aos protestos populares registrados em julho de 2021, considerados as maiores manifestações antigoverno realizadas em Cuba em décadas. A nova ofensiva amplia uma política de endurecimento adotada pela Casa Branca desde o retorno de Trump à Presidência.
Embora o embargo econômico contra Cuba esteja em vigor desde 1962, o governo americano tem adotado medidas adicionais voltadas a restringir fontes de financiamento do Estado cubano e de grupos ligados às Forças Armadas do país.
Além das sanções financeiras, Washington vem combinando instrumentos diplomáticos, jurídicos e econômicos para ampliar a pressão sobre Havana. Entre eles está a retomada de ações judiciais relacionadas a episódios históricos do conflito entre os dois países, incluindo acusações envolvendo o abatimento de aeronaves civis em 1996.
Outro eixo da estratégia americana tem sido a limitação do acesso de Cuba ao petróleo importado, considerado essencial para o funcionamento da economia da ilha. Desde o início do ano, o governo dos Estados Unidos vem adotando medidas destinadas a dificultar o fornecimento de combustíveis ao país caribenho.
A escalada ganhou novo impulso em 1º de maio, quando Trump assinou uma ordem executiva classificando Cuba como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana. O documento ampliou o alcance das restrições já existentes e reforçou sanções contra o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), conglomerado empresarial controlado pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.
O Gaesa é considerado um dos principais pilares econômicos do regime cubano, com atuação em setores estratégicos como turismo, comércio exterior, logística, construção civil e serviços financeiros. Ao atingir o conglomerado militar, Washington busca limitar a capacidade de geração de receitas do governo cubano e restringir seu acesso a investimentos internacionais.
Os efeitos das sanções começam a se refletir também na atuação de empresas estrangeiras. Segundo relatos de autoridades e analistas, diversas companhias internacionais reduziram ou encerraram operações em Cuba diante do risco de sofrer sanções secundárias por manter relações comerciais com entidades vinculadas ao Gaesa.
A retração de investimentos ocorre em um momento particularmente delicado para a economia cubana. A ilha enfrenta escassez recorrente de combustíveis, interrupções frequentes no fornecimento de energia elétrica, inflação elevada, dificuldades para importar alimentos e medicamentos e uma crescente saída de cidadãos em direção a outros países, principalmente aos Estados Unidos.
Especialistas consideram que Cuba vive atualmente sua mais profunda crise econômica e social desde o colapso da União Soviética e, em alguns indicadores, a situação já é apontada como a mais grave desde a chegada de Fidel Castro ao poder, em 1959.
Apesar do aumento das tensões, Washington e Havana mantêm canais diplomáticos abertos. Autoridades dos dois países reconhecem que existem negociações em andamento para tentar encontrar soluções para parte dos problemas econômicos e migratórios que afetam a relação bilateral.
Até o momento, porém, essas conversas não produziram avanços concretos capazes de alterar o cenário de deterioração econômica na ilha ou de reduzir o nível de confrontação política entre os dois governos.
A nova rodada de sanções reforça a estratégia da administração Trump de ampliar o custo econômico para a liderança cubana e seus círculos mais próximos. Para analistas, a medida também busca aumentar a pressão interna sobre o regime em um momento em que a população enfrenta dificuldades crescentes de acesso a bens básicos e serviços essenciais.
O governo cubano continua atribuindo parte significativa da crise ao embargo econômico americano, que completa mais de seis décadas, e afirma que as novas restrições aprofundam obstáculos ao país.