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Brasil

Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em menores de idade

Resolução derrubada tratava do atendimento a vítimas de violência sexual
Redação
02/06/2026 | 18:25

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira 2 um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que susta uma resolução do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre o atendimento e o acesso ao aborto legal por crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. O texto segue para promulgação.

A proposta foi incluída na pauta do dia como item extrapauta e aprovada de forma simbólica, sem registro nominal de votos. De autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ), o projeto havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de 2025 e aguardava análise da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em menores de idade
Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em menores de idade - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A resolução do Conanda, publicada em dezembro de 2024, estabelecia que a interrupção da gravidez não dependeria da apresentação de boletim de ocorrência, decisão judicial ou comunicação aos responsáveis legais nos casos de suspeita de violência sexual ocorrida no ambiente familiar.

O texto também previa que, em situações de divergência entre a vontade da criança e a dos pais ou responsáveis, profissionais de saúde deveriam acionar a Defensoria Pública e o Ministério Público para orientação sobre os procedimentos.

Na prática, a norma viabilizava o processo de interrupção da gravidez para crianças e adolescentes que relatassem gestação decorrente de violência sexual, risco de vida ou diagnóstico de anencefalia, desde que manifestassem interesse no procedimento.

A resolução não alterava a legislação vigente. O Código Penal já permite o aborto nos casos de gravidez resultante de estupro. A norma também incluía diretrizes para prevenção à violência sexual e à gestação na infância, além de orientações sobre acesso à informação para identificação e denúncia desses casos.

Durante a discussão, a senadora Damares Alves afirmou: “Os pais, se não forem eles os culpados, precisam participar desse processo de proteção da criança”. Em seguida, acrescentou: “Vamos dar a oportunidade para o Conanda rever essa resolução”.