O candidato presidencial colombiano Iván Cepeda, de esquerda, recuou nesta segunda-feira 1º das acusações de irregularidades feitas após o primeiro turno das eleições e reconheceu o resultado que colocou o adversário Abelardo de la Espriella, de direita, na liderança da disputa.
Em declaração à imprensa em Bogotá, Cepeda afirmou que não foram encontrados elementos que sustentassem a hipótese de fraude.

“Até o momento, devo afirmar categoricamente que não encontramos nenhuma evidência ou indício de irregularidades flagrantes” e acrescentou que “não há irregularidades de dimensões suficientes para falar de fraude”.
A mudança de tom ocorreu menos de 24 horas depois de o candidato ter levantado suspeitas sobre o processo eleitoral. Na noite de domingo, Cepeda afirmou a apoiadores que havia cerca de 885 mil votos considerados suspeitos e chegou a declarar que “tivemos 10 milhões de votos mal contados na Colômbia”, sem apresentar provas.
Segundo a apuração preliminar do Registro Nacional, Espriella obteve 43,7% dos votos e abriu vantagem de quase 800 mil votos sobre Cepeda. Os dois disputarão o segundo turno das eleições presidenciais marcado para 21 de junho.
Mesmo reconhecendo o resultado, Cepeda destacou a força eleitoral de seu grupo político.
“Este resultado não pode, de forma alguma, ser subestimado, minimizado ou banalizado. O Pacto Histórico exige respeito pela nossa força política”, afirmou, referindo-se à coalizão governista ligada ao presidente Gustavo Petro.
O desempenho ficou abaixo das expectativas do campo governista. Pesquisas de intenção de voto chegaram a apontar Cepeda com cerca de 45% das preferências, mais de dez pontos à frente de Espriella. A campanha apostava que o candidato poderia vencer ainda no primeiro turno.
As declarações de Cepeda ecoaram manifestações feitas por Petro no domingo. Antes do pronunciamento do aliado, o presidente utilizou as redes sociais para questionar a contagem preliminar dos votos, alegando inconsistências entre os registros eleitorais e o sistema utilizado na apuração.
Petro tem levantado dúvidas sobre o processo eleitoral há meses, citando a participação da empresa Thomas Greg & Sons e do consórcio responsável por parte da logística da eleição. O governo e a empresa travam divergências desde 2023, quando uma licitação foi interrompida após acusações de favorecimento.
Apesar das suspeitas levantadas pelo presidente e por integrantes do governismo, a Missão de Observação Eleitoral da Colômbia não apontou indícios de irregularidades em massa em relatório divulgado após a votação. A diretora para as Américas da Human Rights Watch, Juanita Goebertus, também defendeu a credibilidade do sistema eleitoral colombiano, classificando-o como independente e confiável.
Líder do primeiro turno, Espriella reagiu às acusações elevando o tom contra o governo. Em discurso a apoiadores, afirmou: “Gustavo Petro, não se atreva a desconsiderar os resultados das eleições” e acusou o presidente e Cepeda de tentarem desacreditar o processo democrático.