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Aviação

Alta do querosene de aviação provoca corte de mais de 6,2 mil voos no Brasil

Aumento de 98,4% no preço do combustível levou companhias aéreas a reduzir frequências e cancelar rotas; Gol e Azul concentraram a maior parte dos cortes
Por O Correio de Hoje
02/06/2026 | 12:39

O aumento acelerado do preço do querosene de aviação (QAV), impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, provocou uma redução significativa da malha aérea brasileira. Levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que mais de 6,2 mil voos foram retirados da programação das companhias aéreas entre maio e junho.

Os dados comparam a oferta de voos prevista no fim de fevereiro, antes da escalada dos preços do petróleo, com a programação atual das empresas. Em maio, foram canceladas 3.596 operações. Para junho, outras 2.675 deixaram de ser ofertadas, totalizando 6.271 voos a menos em apenas dois meses.

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Alta do combustível leva ao corte de 6,2 mil voos - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O querosene de aviação está entre os principais custos das companhias aéreas e pode representar até 45% das despesas operacionais do setor. Quando o combustível sobe de forma abrupta, as empresas enfrentam aumento dos gastos para operar cada voo e, diante da dificuldade de repassar imediatamente esse custo ao consumidor, acabam reduzindo frequências e eliminando rotas menos rentáveis.

A retração atingiu praticamente todo o território nacional. Pernambuco aparece como o estado proporcionalmente mais afetado. Em maio, o número de voos previstos caiu 12,8% em comparação com fevereiro, o equivalente a 427 operações retiradas da malha. Em junho, a redução permanece elevada, com queda de 11,6% e mais 378 voos cancelados.

A Bahia registrou redução de 10,1% na oferta de voos em maio, com 362 operações a menos. Goiás teve retração de 9,6%, enquanto o Espírito Santo perdeu 9% de sua programação. No Rio de Janeiro, 514 voos deixaram de ser realizados apenas em maio.

Em números absolutos, São Paulo foi o estado que mais perdeu voos no período, com 844 operações retiradas da programação em maio. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, seguido por Pernambuco, Bahia e Distrito Federal. Somados, São Paulo e Rio tiveram mais de 1.350 voos cancelados em apenas um mês.

Entre as companhias aéreas, a Gol lidera os cortes. A empresa retirou 1.840 voos da malha em maio e outros 1.201 em junho, totalizando 3.041 operações canceladas.

A Azul aparece na sequência, com 1.243 voos eliminados em maio e 973 em junho, acumulando 2.216 cortes. Já a Latam promoveu um ajuste mais moderado, retirando 498 voos em maio e 537 em junho. Juntas, Gol e Azul respondem por mais de 86% da redução da oferta aérea registrada no período.

A pressão sobre as companhias foi provocada pela forte alta do querosene de aviação. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o litro do combustível passou de R$ 3,35 em meados de fevereiro para R$ 6,65 no início de maio, avanço de 98,4% em menos de três meses.

Diante da escalada dos preços, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira 1º uma redução de 14,2% no valor do combustível. A medida ocorre após uma sequência de reajustes aplicados ao longo dos últimos meses: aumento de 9% em março, alta de 55% em abril e novo reajuste de 18% em maio.

A crise também chegou ao bolso dos passageiros. Dados da própria Anac indicam que as tarifas aéreas subiram 17,8% em março deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a fevereiro, o aumento foi de 14,5%.

Atualmente, cerca de 21% do querosene de aviação consumido no Brasil é importado. A distribuição do combustível no mercado nacional permanece concentrada, com predominância da Petrobras no abastecimento do setor.