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Saúde

Exame descarta ebola em paciente internado em SP

Resultado do Instituto Adolfo Lutz não detectou o vírus; caso mobilizou autoridades após histórico de viagem à República Democrática do Congo
Por O Correio de Hoje
01/06/2026 | 14:44

Um exame realizado pelo Instituto Adolfo Lutz descartou a presença do vírus ebola em um homem de 37 anos internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. O resultado foi divulgado na manhã desta segunda-feira 1º e apontou que não houve detecção de material genético do vírus na amostra coletada do paciente.

O caso mobilizou autoridades sanitárias nos últimos dias porque o homem é um imigrante da República Democrática do Congo, esteve recentemente no país africano e apresentou sintomas compatíveis com a doença. Apesar da suspeita inicial, já havia sido confirmado que ele está com Meningite meningocócica.

instituto de infectologia emilio ribas
Exame descarta ebola em paciente internado em SP - Foto: Gov SP

Após a divulgação do resultado, representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo e do Instituto Emílio Ribas se reuniram para avaliar os próximos passos da investigação. Entre os pontos discutidos estava a possibilidade de realização de um exame de contraprova, procedimento adotado recentemente em um caso semelhante investigado no Rio de Janeiro. Até o momento, não foi informado se um novo teste será realizado.

O paciente permanece internado em isolamento na unidade de referência para doenças infectocontagiosas, seguindo os protocolos de biossegurança previstos para situações envolvendo suspeitas de doenças de alta gravidade. Segundo o Ministério da Saúde, a suspeita de ebola foi levantada em razão da combinação entre o histórico recente de viagem internacional e os sintomas apresentados pelo paciente.

Antes de ser encaminhado ao Emílio Ribas, ele procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde apresentou febre alta. Os exames iniciais para malária não permitiram uma conclusão diagnóstica. Quando chegou ao instituto especializado, o paciente já apresentava quadro clínico grave, com diarreia, desorientação e rápida deterioração do estado de saúde. Diante da evolução do quadro, ele precisou ser intubado.

De acordo com o infectologista Raulcion Teixeira, do Emílio Ribas, o tratamento inclui antibióticos e hidratação intensiva. Além disso, equipes de vigilância epidemiológica monitoram pessoas que tiveram contato com o paciente, incluindo passageiros que viajaram no mesmo voo e profissionais que participaram do atendimento inicial.

A Secretaria Estadual da Saúde reforçou que a possibilidade de introdução do ebola no Brasil e na América do Sul continua sendo considerada muito baixa. A avaliação leva em conta fatores como a ausência histórica de transmissão autóctone da doença no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre as áreas afetadas e a América do Sul e as características da transmissão do vírus.

Segundo as autoridades sanitárias, o ebola é transmitido por contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas e sintomáticas. A transmissão não ocorre de forma aérea e depende de contato próximo com indivíduos doentes. O professor e infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da USP, afirmou que não há motivo para preocupação da população.

“O Brasil e São Paulo têm uma rede extremamente bem capacitada, tanto para fazer internação, avaliação e também rede de biologia molecular, que é o teste que a gente vai fazer para ter o diagnóstico diferencial e poder tranquilizar a população.”

Ebola

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o ebola é uma doença rara, mas grave, que pode apresentar elevada letalidade. Entre os sintomas mais frequentes estão febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o maior risco está associado ao contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, especialmente durante as fases mais avançadas da doença. O vírus só é transmitido por pessoas que apresentam sintomas da infecção. Não há transmissão por indivíduos assintomáticos.

Recentemente, a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) atualizou orientações destinadas à rede de saúde paulista em razão do surto provocado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola. O documento reforça a importância do isolamento de casos suspeitos e da comunicação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica. Em São Paulo, casos suspeitos devem ser notificados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).

Surto

A suspeita envolvendo o paciente internado em São Paulo ocorre em meio ao surto de ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda. Há cerca de duas semanas, a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente o surto nos dois países.

Segundo os dados mais recentes divulgados pela entidade, foram registradas 18 mortes confirmadas entre 134 casos confirmados da doença, resultando em uma taxa de mortalidade de aproximadamente 13%, percentual inferior à média histórica observada em surtos anteriores. Além disso, outras 223 mortes e 906 casos suspeitos permanecem sob investigação.