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Julgamento

Babá diz que Monique pediu para apagar mensagens após morte de Henry Borel

Ex-funcionária afirmou no júri que recebeu orientação para falar o mínimo às autoridades e relatou episódios de agressões atribuídas a Jairinho
Por O Correio de Hoje
01/06/2026 | 15:25

A babá Thayná de Oliveira Ferreira afirmou neste domingo 1º, durante o julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, que recebeu orientações para apagar mensagens de celular e evitar relatar detalhes sobre a rotina da família após a morte de Henry Borel. Em depoimento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, ela atribuiu a orientação à mãe do menino.

“Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa”, relatou a ex-funcionária ao reproduzir o que teria ouvido após a morte da criança.

Caso Henry
Monique e Jairinho durante julgamento pela morte do menino Henry Borel - Foto: Reprodução

O julgamento, iniciado na última semana, já é considerado um dos mais longos da história recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e tem previsão de seguir até quarta-feira 4. Até o momento, 17 pessoas foram ouvidas.

Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros respondem pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021 em um apartamento no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. A investigação concluiu que o menino, então com 4 anos, foi vítima de agressões e apontou Jairinho como autor das lesões. Ambos negam as acusações.

Thayná prestou depoimento na condição de informante, pois responde a um processo por falso testemunho em razão de versões diferentes apresentadas anteriormente. No início da oitiva, ela afirmou à juíza que desejava se retratar e relatar fatos que, segundo disse, presenciou durante o período em que trabalhou na residência da família entre janeiro e março de 2021.

A ex-babá descreveu situações que, segundo ela, demonstravam uma relação conturbada entre Jairinho e Henry. Em um dos episódios narrados, o menino chamou pela mãe e foi levado por Jairinho para um quarto sob a justificativa de que era “mimado”. Cerca de meia hora depois, teria saído abatido, reclamando de dores no joelho e sem vontade de brincar.

O relato mais detalhado envolveu outro episódio ocorrido na ausência de Monique. Segundo Thayná, Jairinho levou Henry novamente para um quarto enquanto ela permanecia do lado de fora observando a situação.

“Ela pedia para eu ficar vendo o que estava acontecendo, tentando escutar alguma coisa. Mandava eu bater, ouvir”, afirmou, referindo-se a Monique.

A babá contou que, ao sair do cômodo, Henry estava mancando. Ela disse ter gravado um vídeo da situação e enviado à mãe da criança. Posteriormente, durante o banho, o menino teria reclamado de dores na cabeça e relatado que havia levado uma “banda” e caído da cama. Em determinado momento do depoimento, Thayná classificou o que presenciava como uma “tortura”.

Outro trecho que chamou a atenção dos jurados foi a afirmação de que recebeu R$ 100 de Jairinho após um dos episódios envolvendo Henry.

“Aquilo não era para comprar uma blusa. Era para comprar o meu silêncio”, declarou.

Questionada pela defesa sobre o motivo de não ter procurado a polícia, a ex-funcionária afirmou que sentia medo e nervosismo diante da situação. Ela acrescentou que chegou a sugerir a instalação de câmeras no apartamento.

Thayná também relatou acontecimentos posteriores à morte de Henry. Segundo seu depoimento, ela e outra empregada foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho a um escritório de advocacia, onde teriam recebido orientações sobre como agir diante da imprensa e das autoridades.

De acordo com a testemunha, além do pedido para apagar mensagens, houve incentivo para que defendesse publicamente o casal.

“A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa”, relatou Thayná, atribuindo a frase a um advogado presente na reunião.

Também neste domingo prestou depoimento Jairo Souza Santos. O coronel reformado defendeu o filho e contestou relatos de agressões apresentados por ex-companheiras do ex-vereador e por filhos dessas mulheres. Segundo ele, as acusações teriam sido influenciadas por terceiros.

Entre os 17 depoimentos já colhidos pelo júri estão os de delegados, peritos, médicos-legistas, ex-companheiras de Jairinho, funcionários que conviviam com a família, parentes de Monique e Leniel Borel.