A Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer inaugura nesta sexta-feira 29 em Assú uma nova unidade voltada ao atendimento oncológico no interior do Rio Grande do Norte. O Centro de Diagnóstico e Ensino do Vale do Açu começa a funcionar com cinco especialidades médicas, salão de quimioterapia e alcance estimado sobre 23 municípios, em uma região onde muitos pacientes ainda precisavam se deslocar para Natal em busca de consultas, exames e tratamento contra o câncer.
A unidade representa a chegada da Liga à região Oeste potiguar e integra o plano de interiorização da instituição, que já mantém atuação em cidades como Caicó e Currais Novos. Segundo a diretora executiva da Liga, Karla Emerenciano, a decisão de instalar o serviço em Assú partiu da identificação de um grande número de pacientes da região que precisavam viajar até Natal para atendimento oncológico.

“Identificamos um número grande de pacientes que se deslocavam de Açu para Natal para fazer tratamento oncológico e exames. Dentro da nossa política de nos aproximarmos da população, para propiciar melhor qualidade de tratamento e diagnóstico mais precoce, fizemos esse movimento de interiorização”, afirmou.
Na primeira etapa, o centro oferece atendimento em oncologia clínica, mastologia, dermatologia, cirurgia de cabeça e pescoço e urologia, além de quimioterapia. A escolha das especialidades acompanha a demanda mais frequente observada pela Liga na região, especialmente casos ligados a câncer de mama, próstata e tumores de pele.
Karla explicou que a presença da unidade no Vale do Açu deve reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por pacientes oncológicos: a distância entre a suspeita da doença, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento. Segundo ela, o tempo é decisivo para ampliar as chances de cura.
“Uma das barreiras para melhores resultados oncológicos, para cura e para maior sobrevida, é exatamente o estágio em que esses pacientes chegam nas nossas unidades. O que buscamos é chegar mais perto dessa população para que ela tenha mais facilidade de fazer exames e consultas oncológicas. Com isso, a gente diagnostica o câncer mais precocemente”, disse.
A diretora citou o câncer de mama como exemplo da importância do diagnóstico inicial. “Um câncer de mama, no diagnóstico inicial, cura mais de 90% dos casos. Se o paciente não tiver acesso rápido e fácil, ele vai chegar para o tratamento com a doença mais avançada”, afirmou.
Além do impacto clínico, a Liga aponta reflexos diretos sobre a rotina das famílias. Muitos pacientes, antes obrigados a viajar para Natal ou outras cidades para consultas e sessões de tratamento, enfrentavam custos, cansaço, perda de dias de trabalho e dependência de acompanhantes. A nova unidade, segundo Karla, deve diminuir esse desgaste.
“Um paciente geralmente não vai sozinho para fazer tratamento ou um exame complexo. Alguém da família deixa de trabalhar, precisa procurar alguém para ficar com os filhos. Quando a oportunidade de tratar e cuidar chega mais próximo de casa, impacta a vida de todos ao redor”, declarou.
O centro foi viabilizado com investimento superior a R$ 6 milhões, por meio de emendas parlamentares, doação de terreno e apoio da Prefeitura de Assú. Karla destacou a união de esforços públicos e privados para tirar a unidade do papel. Ela citou a doação do terreno por um empresário, o apoio do município e a destinação de emenda pelo deputado federal Sargento Gonçalves (PL).
“Essa é a parte mais bonita disso tudo. Quando cada um transcende, passa a olhar para esse entorno. A gente tem a doação do terreno por um empresário, o apoio da Prefeitura e o apoio também do Sargento Gonçalves, que destinou essa emenda para viabilizar a obra”, afirmou.
A nova unidade nasce com perfil regional. Além de Assú, deve alcançar moradores de cidades próximas do Vale do Açu e da região salineira, como Macau, Pendências e Alto do Rodrigues. A estimativa divulgada é de que cerca de 300 mil pessoas possam ser beneficiadas direta ou indiretamente pelo novo serviço.
Nas próximas fases, o centro deve receber posto de enfermagem, farmácia hospitalar e sala de tomografia. Karla informou que a previsão é de implantação da tomografia ainda este ano, além da busca por novos exames complementares, como ressonância magnética.
“A proposta é que em outubro a gente já tenha tomografia. E seguimos buscando ressonância magnética e todos esses exames que se complementam para oferecer melhor diagnóstico aos pacientes”, afirmou.
A expansão ocorre em um cenário de pressão crescente sobre a rede oncológica. O Instituto Nacional de Câncer estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. No Rio Grande do Norte, as projeções para 2026 apontam 1.190 novos casos de câncer de próstata, 1.160 de mama feminina, 580 de cólon e reto e 520 de traqueia, brônquio e pulmão.
Nesse contexto, a interiorização do atendimento é vista como uma forma de reduzir a fragmentação da jornada do paciente, que muitas vezes passa por várias etapas até conseguir consulta especializada, exame, resultado e encaminhamento definitivo. Para Karla, esse percurso prolongado compromete as chances de tratamento bem-sucedido.
“O acesso aos exames de prevenção é uma jornada que começa com a suspeita clínica, passa pela educação do paciente, pelo alerta do profissional de saúde, pelo encaminhamento, pelo exame, pelo resultado e por novo encaminhamento ao especialista. Essa fragmentação faz o paciente perder tempo. E tempo em câncer é algo muito precioso”, disse.
A diretora também destacou que a Liga não chega ao interior apenas com assistência médica. A unidade de Assú terá papel de ensino e formação, com capacitação de profissionais da saúde, especialmente aqueles da atenção primária, que costumam ser os primeiros a identificar sinais suspeitos da doença.
“Nós precisamos treinar o olhar dos profissionais, principalmente da atenção primária, que são aqueles que vão se deparar com essa doença muitas vezes pela primeira vez”, afirmou.
Karla lembrou que a Liga atua hoje em assistência, ensino, pesquisa e inovação. Segundo ela, a instituição desenvolve pesquisa clínica de ponta e oferece, por meio desses estudos, acesso a medicamentos ainda não disponíveis comercialmente no país. A diretora também afirmou que a Liga é o sexto centro de pesquisa clínica do Brasil em classificação da Anvisa.
A instituição responde por parcela expressiva do atendimento oncológico no Estado. Durante a entrevista, foi citado que a Liga concentra cerca de 65% da demanda oncológica do Rio Grande do Norte. Karla afirmou ainda que 60% dos atendimentos realizados pela instituição são destinados a pacientes do SUS.
“Nós somos responsáveis por 60% do atendimento SUS. Quando levamos essa equipe especializada, preparada e atualizada, estamos levando mais saúde, mais tecnologia e mais cuidado para essa população, diminuindo essas distâncias”, disse.
A diretora reforçou ainda que a nova unidade seguirá o mesmo padrão de acolhimento humano das demais estruturas da Liga. Segundo ela, a instituição possui uma diretoria de experiência humana responsável por acompanhar toda a jornada do paciente, desde a tentativa de marcação da consulta até a recepção, o atendimento e os protocolos de qualidade e segurança.
“O que oferecemos aos nossos pacientes aqui é exatamente o mesmo cuidado que vamos oferecer em qualquer uma das unidades”, afirmou. Karla disse que a chegada da Liga ao Vale do Açu representa acesso, dignidade e esperança para pacientes que antes tinham mais dificuldade para chegar ao tratamento. “A Liga está indo para Açu direcionada pelo propósito de crescer para cuidar, de crescer para cuidar melhor, sempre”, concluiu.