A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou nesta quinta-feira 28 a operação “Patrocínio Infiel” e cumpriu quatro mandados judiciais contra um advogado de 43 anos suspeito dos crimes de estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e patrocínio infiel, em Natal. A ação resultou no cumprimento de um mandado de prisão preventiva e de três mandados de busca e apreensão nos bairros Neópolis e Lagoa Nova, incluindo diligências em um escritório de advocacia.
De acordo com as investigações, o prejuízo causado à vítima é estimado em aproximadamente R$ 500 mil. Conforme a Polícia Civil, o homem teria induzido o cliente a realizar transferências mensais superiores a R$ 11 mil sob a alegação de que os valores seriam destinados ao pagamento judicial de parcelas de um financiamento relacionado à aquisição de um imóvel comercial.

A investigação aponta que a vítima contratou o advogado para ingressar com uma ação revisional envolvendo o imóvel. Durante o andamento do processo, o suspeito teria informado falsamente que o Poder Judiciário havia autorizado o pagamento das prestações por meio de depósitos judiciais vinculados à ação.
Segundo a polícia, o advogado orientava a vítima a transferir os valores para contas bancárias em nome dele e da esposa, afirmando que os recursos seriam posteriormente repassados à conta judicial. Acreditando na versão apresentada, a vítima realizou diversas transferências entre 2021 e 2025.
Ainda conforme as apurações, a vítima acreditava que os pagamentos estavam sendo utilizados para quitar o financiamento do imóvel comercial e, diante das cobranças feitas pelo próprio advogado, chegou a vender um imóvel residencial para evitar atrasos nas parcelas.
A fraude teria sido descoberta no fim de 2025, após o antigo proprietário do imóvel ajuizar uma ação de retomada da posse e da propriedade do prédio comercial, alegando ausência total de pagamento do financiamento. Após tomar conhecimento da situação, a vítima tentou contato com o advogado, que inicialmente apresentou justificativas e, posteriormente, deixou de responder às ligações e mensagens.
As diligências da Polícia Civil identificaram que não existia qualquer decisão judicial autorizando depósitos em conta vinculada ao processo, nem registros de pagamentos das parcelas no procedimento judicial. As informações, segundo a corporação, foram confirmadas oficialmente pelo Poder Judiciário.
Os investigadores também apontaram que parte dos valores transferidos foi destinada a contas bancárias em nome do advogado e da esposa. Além disso, o suspeito teria produzido comprovantes de quitação ideologicamente falsos, inclusive com menção ao número do processo judicial relacionado ao financiamento, para manter a vítima em erro.
A Polícia Civil informou ainda que os investigados teriam convertido parte dos valores obtidos de forma ilícita em ativos aparentemente legais, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem dos recursos.
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a autoridade policial representou pelas medidas cautelares junto ao Poder Judiciário, que decretou a prisão preventiva do advogado, além da indisponibilidade de veículos e bens imóveis.
Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam o cumprimento dos mandados. O suspeito foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação, “Patrocínio Infiel”, faz referência ao crime previsto no artigo 355 do Código Penal, que tipifica a conduta do advogado que trai o dever profissional e prejudica os interesses do cliente. A corporação informou que denúncias anônimas podem ser repassadas por meio do Disque Denúncia 181.