O senador Rogerio Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, criticou duramente o parecer da PEC e classificou a proposta como “um desastre” e “um crime contra o país”.
Segundo Marinho, a redução da jornada com uma transição considerada curta pode gerar aumento da informalidade, avanço da automação, perda de competitividade das empresas e alta nos preços de produtos e serviços.

“Esse discurso populista fácil é um cavalo de troia. Vai implodir o país”, afirmou o senador.
O parlamentar também acusou o governo federal de utilizar o debate da redução da jornada de trabalho com objetivos eleitorais e criticou a ausência de medidas de compensação para micro, pequenas e médias empresas.
Ao defender sua posição, Rogerio Marinho afirmou que fala com base na trajetória construída ao longo da carreira política e na atuação em pautas econômicas e trabalhistas. “Estou falando como senador que tem responsabilidade com o país. Essa é a minha posição pessoal, em respeito ao meu mandato e à história que construí”, declarou.
Ex-ministro do Desenvolvimento Regional e um dos articuladores da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer, Marinho também rebateu pontos incluídos no parecer de Leo Prates relacionados ao trabalhador considerado “hipersuficiente”, categoria criada durante a reforma trabalhista conduzida por ele quando ainda era deputado federal.
Marinho ressaltou que sua posição é pessoal e afirmou que o partido ainda definiria oficialmente sua postura sobre a PEC. A tendência, segundo interlocutores da legenda, seria liberar os deputados para votarem conforme suas convicções.
Apesar das declarações de Marinho, nesta quarta-feira 27, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o partido votará favoravelmente ao fim da escala 6×1 e defenderá uma jornada 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
O anúncio foi feito na tribuna da Câmara, às vésperas da votação do parecer da comissão especial que analisa a proposta.
“Vamos votar o fim da escala 6×1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três”, declarou o parlamentar.
A fala marcou uma mudança de postura do partido, que até então vinha sendo apontado por parlamentares governistas e integrantes da oposição de esquerda como resistente à proposta.
A autora da proposta, a deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, reagiu à mudança de posicionamento do PL e afirmou que a defesa da jornada 4×3 seria uma “manobra” para atrasar a votação do texto.
Segundo Erika, o partido foi contrário à proposta desde o início e passou a adotar um discurso favorável diante da pressão popular sobre o tema.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tem defendido um modelo alternativo baseado em pagamento por hora trabalhada, inspirado no sistema norte-americano. A proposta, porém, não avançou nas discussões da Câmara e deve ser retomada pela oposição no Senado.
A expectativa é que a PEC seja votada ainda nesta quarta-feira na comissão especial antes de seguir para análise do plenário da Câmara dos Deputados.