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Eleições

Rafael e Samanda tentam empurrar Zenaide para a direita

Pré-candidatos ao Senado tentam associar senadora do PSD ao campo da direita e disputar eleitorado lulista no RN
Por O Correio de Hoje
26/05/2026 | 14:44

Pré-candidatos ao Senado, o ex-deputado federal Rafael Motta e a vereadora de Natal Samanda Alves intensificaram discursos e publicações nas redes sociais que, na prática, buscam empurrar a senadora Zenaide Maia para o campo da direita e da oposição estadual, numa tentativa de consolidar para si o apoio do eleitorado de esquerda e lulista no Rio Grande do Norte.

O movimento ocorre num momento em que Zenaide tenta manter uma posição politicamente híbrida. Embora siga alinhada ao governo federal em Brasília — onde ocupa a vice-liderança do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado —, a parlamentar rompeu politicamente com o grupo da governadora Fátima Bezerra no RN e hoje integra o arco político que apoia a pré-candidatura do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra ao Governo do Estado.

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Rafael Motta e Samanda pressionam Zenaide por posicionamento político para 2026 - Foto: Instagram / Francisco de Assis / Jefferson Rudy

Nas últimas semanas, Rafael Motta e Samanda passaram a elevar o tom das cobranças públicas por um posicionamento mais claro da senadora. Sem citar diretamente Zenaide, Rafael publicou nas redes sociais uma mensagem defendendo que “é preciso descer do muro em 2026”. No post, aparece a imagem de uma mulher cuja silhueta lembra a da senadora do PSD.

“Porque neutralidade também produz consequência política. Porque direitos sociais continuam em disputa. Porque a extrema direita segue socialmente mobilizada”, escreveu o ex-deputado, acrescentando que a eleição do próximo ano deverá definir “o horizonte da próxima década”.

A publicação foi interpretada nos bastidores como um recado direto à senadora do PSD, partido que nacionalmente tem como pré-candidato à Presidência o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, adversário do governo petista.

Samanda Alves seguiu linha semelhante. Em uma postagem recente, a vereadora publicou uma arte com a frase: “Tem coisa que nasceu pra ser neutra. Shampoo de bebê. Detergente. Soro. Político não. Quem representa o povo precisa ter coragem de dizer de que lado está”.

Na legenda da publicação, Samanda reforçou o discurso de fidelidade política e alinhamento ideológico. “Nunca escondi minhas posições, nunca troquei de partido e nunca negociei meus princípios. Tenho orgulho de caminhar ao lado de Lula, de Fátima e, principalmente, do povo trabalhador brasileiro”, escreveu.

A estratégia de Rafael e Samanda ocorre num cenário em que ambos disputam praticamente o mesmo espaço político-eleitoral. Os dois tentam se apresentar ao eleitorado progressista como representantes mais identificados com o lulismo e com o campo da esquerda potiguar.

Nesse contexto, o objetivo político passa também por associar Zenaide ao campo oposicionista estadual e, indiretamente, ao eleitorado conservador, enfraquecendo sua conexão histórica com setores lulistas.

A tensão entre a senadora e o PT do Rio Grande do Norte já havia ficado evidente na semana passada, quando Samanda Alves rebateu publicamente declarações de Zenaide sobre segurança pública. A parlamentar do PSD afirmou em vídeo que a população vivia sob medo da violência e defendeu políticas públicas voltadas também para educação, saúde e geração de empregos.

A fala foi interpretada pelo PT como crítica indireta à gestão Fátima Bezerra, que vem explorando a redução dos índices de criminalidade como uma das principais vitrines administrativas.

Na resposta, Samanda acusou Zenaide de ignorar os avanços da atual gestão e tentou vinculá-la ao ex-governador Robinson Faria, hoje aliado político da senadora. “Não dá para desconhecer a verdade só porque mudou de palanque”, afirmou a vereadora na ocasião.

Apesar da pressão, Zenaide tenta preservar credenciais junto ao eleitorado de esquerda. Há cerca de um mês, a senadora publicou nas redes sociais o vídeo de seu voto contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Na época deputada federal, ela foi a única integrante da bancada potiguar a votar contra o afastamento da petista.

O gesto foi interpretado nos meios políticos como uma tentativa de reafirmar sua identidade progressista diante do avanço das cobranças sobre seu posicionamento eleitoral para 2026.

O episódio também trouxe de volta uma lembrança incômoda para Rafael Motta. Embora hoje faça discursos em defesa de alinhamento claro com o campo progressista, o ex-deputado votou favoravelmente ao impeachment de Dilma Rousseff quando exercia mandato na Câmara Federal.

Nos bastidores, a avaliação é de que a disputa pelo eleitorado lulista deve se intensificar à medida que a eleição se aproxima. Com duas vagas ao Senado em jogo e um cenário ainda indefinido sobre alianças nacionais e estaduais, o embate deixou de ser apenas por espaço político e passou a envolver identidade ideológica e pertencimento ao campo da esquerda no Rio Grande do Norte.