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Política

Onda antipolítica de 2018 perde força e desafia senadores em busca da reeleição

Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 17:08

A onda antipolítica impulsionada pela Operação Lava Jato e pela eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 levou ao Senado uma renovação histórica. Das 54 vagas em disputa naquele ano, 46 foram conquistadas por novatos, incluindo dez nomes sem experiência prévia em cargos eletivos. Oito anos depois, muitos desses parlamentares enfrentam dificuldades para permanecer na Casa.

Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que 18 dos 54 senadores cujo mandato termina em 2027 já anunciaram que não disputarão a reeleição. Outros três ainda estão indefinidos, enquanto 33 pretendem tentar novo mandato em um ambiente político mais dependente de alianças partidárias e estruturas regionais. No Rio Grande do Norte, os eleitos em 2018 foram Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) — que deverão concorrer a um novo mandato de oito anos.

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Alessandro Vieira tem dificuldade para montar chapa competitiva em Sergipe; Soraya Thronicke tenta recuperar espaço político em Mato Grosso do Sul - Fotos: Carlos Moura / Senado e Geraldo Magela / Senado

A eleição deste ano terá peso estratégico porque renovará dois terços do Senado, com duas vagas por estado. O cenário ganhou importância diante das tensões entre Executivo, Congresso e Judiciário. O senador Flávio Bolsonaro (PL) trabalha para ampliar a bancada conservadora e fortalecer o enfrentamento ao STF, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca conter o avanço bolsonarista por meio de alianças estaduais.

Para o cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí, o ambiente eleitoral mudou desde 2018. Segundo ele, a força da opinião pública que favoreceu outsiders perdeu espaço para fatores tradicionais, como estrutura partidária, financiamento e apoio de candidaturas majoritárias fortes.

As pesquisas indicam favoritismo de políticos experientes, especialmente ex-governadores e ex-senadores que tentam retornar à Casa. Enquanto isso, alguns dos eleitos pela primeira vez em 2018 enfrentam dificuldades para montar alianças competitivas.

É o caso de Alessandro Vieira (MDB), que chegou a ser anunciado na chapa do governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), mas acabou substituído pelo senador Rogério Carvalho (PT). No Espírito Santo, Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante) terão pela frente nomes como os ex-governadores Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (PSD).

Já Soraya Thronicke (PSB) tenta recuperar espaço político em Mato Grosso do Sul após romper com Bolsonaro e se aproximar do governo Lula. “É com esse trabalho, com essa experiência construída ao longo do mandato e com a disposição de continuar apresentando resultados que pretendo buscar a reeleição”, afirmou.

Parte dos parlamentares eleitos na onda de 2018 decidiu deixar a disputa. Jorge Kajuru (PSB), Oriovisto Guimarães (PSDB) e Mara Gabrilli (PSD) estão fora da corrida. Kajuru alegou falta de reconhecimento do eleitorado goiano, enquanto Mara pretende disputar vaga de deputada estadual.

Outros tentam voos mais altos. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República, enquanto Marcos Rogério (PL) disputa o governo de Rondônia como favorito. Já Izalci Lucas (PL) e Jayme Campos (União Brasil) enfrentam disputas internas em seus partidos para viabilizar candidaturas estaduais.

Até nomes tradicionais convivem com indefinições. Rodrigo Pacheco (PSB), presidente do Senado entre 2021 e 2025, dá sinais de que pode deixar a política, embora siga pressionado pelo Palácio do Planalto para disputar o governo mineiro. Já Paulo Paim (PT) e Jader Barbalho (MDB) anunciaram aposentadoria eleitoral.

O cenário também mostra redução da fragmentação partidária no Senado. Em 2018, 20 partidos elegeram representantes. Hoje, os senadores que encerram mandato estão distribuídos em 13 siglas, movimento que reforça a concentração política nas principais legendas nacionais.