Os 40 dias de guerra conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã já representam o conflito mais custoso para a aviação militar americana desde a Guerra do Golfo, em 1991. Relatório parcial do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA (CRS, na sigla em inglês) aponta que ao menos 42 aeronaves americanas foram perdidas desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro.
O documento, divulgado no último dia 13, alerta o Departamento de Defesa para a falta de transparência sobre os custos e danos da operação militar. O Pentágono não comentou oficialmente os números nem confirmou as perdas citadas pelo relatório.

Segundo o CRS, os prejuízos associados às aeronaves abatidas, destruídas em acidentes ou atingidas por fogo amigo somam US$ 2,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 13,15 bilhões. Já o custo total estimado da guerra teria alcançado US$ 29 bilhões, ou aproximadamente R$ 147 bilhões.
O dado mais sensível envolve os drones MQ-9 Reaper, principal plataforma americana de vigilância e ataque remoto. Dos equipamentos em operação, 24 foram abatidos durante os confrontos, o equivalente a 10,6% da frota operacional do modelo. Cada unidade, equipada com sistemas de solo e comunicação via satélite, custa cerca de US$ 56 milhões.
As perdas chamaram atenção pela velocidade. Em média, os EUA perderam 1,07 aeronave por dia no atual conflito — índice próximo ao registrado na Guerra do Golfo, quando 75 aeronaves foram perdidas em 43 dias de combate. Na invasão do Iraque em 2003, por comparação, os americanos registraram apenas três aeronaves abatidas em 26 dias da fase ativa da campanha.
O relatório avalia que a elevada taxa de baixas reflete um ambiente aéreo mais hostil e tecnologicamente contestado, além da capacidade iraniana de retaliar bases americanas no Oriente Médio. O caso também reacendeu discussões sobre a vulnerabilidade de drones de grande porte em cenários de guerra moderna.
Embora continuem estratégicos para vigilância de áreas extensas, os drones americanos vêm sendo considerados cada vez mais expostos em ambientes de combate saturados, como os observados na guerra da Ucrânia. O próprio CRS menciona que um eventual confronto no Pacífico contra a China poderia produzir perdas ainda mais rápidas.
O conflito também atingiu equipamentos considerados estratégicos. A Marinha americana perdeu um drone naval MQ-4C Triton, avaliado em US$ 240 milhões, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Apenas 16 unidades do modelo estariam em operação atualmente, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres.
Outro episódio relevante foi a destruição em solo de um Boeing E-3 Sentry, aeronave-radar da força aérea americana. Apenas 16 aviões desse tipo permanecem ativos na frota dos EUA.
Também houve perdas entre caças tripulados. O relatório cita a derrubada de aeronaves F-15E, um avião de ataque A-10 e danos a um caça furtivo F-35A, cuja situação permanece cercada de informações desencontradas.
O único episódio confirmado com mortes de militares americanos ocorreu após a colisão de dois aviões-tanque KC-135 sobre o Iraque, deixando seis tripulantes mortos.
Do lado iraniano, as perdas exatas permanecem desconhecidas. Autoridades americanas afirmam que a força aérea do país foi severamente atingida, embora faltem informações independentes sobre a dimensão dos danos. O Irã operava majoritariamente aeronaves antigas, afetadas por décadas de sanções econômicas internacionais.
Em paralelo ao conflito militar, a crise diplomática envolvendo Israel também ganhou novo capítulo. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios israelense em Brasília, Rasha Athamni, após a divulgação de imagens de ativistas pró-Gaza detidos com as mãos amarradas durante interceptação de uma flotilha no Mediterrâneo.
Entre os detidos estavam quatro brasileiros. O governo brasileiro classificou o tratamento dado aos ativistas como “degradante” e exigiu a libertação imediata dos envolvidos, ampliando o desgaste diplomático entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê israelense Benjamin Netanyahu.