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Eleições

Fábio Dantas: Álvaro e Allyson não são reformistas

Ex-vice-governador diz que ex-prefeitos de Natal e Mossoró, pré-candidatos ao Governo do Estado, não têm perfil para fazer reformas exigidas pelo RN
Por O Correio de Hoje
20/05/2026 | 15:14

O ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) afirmou que os dois principais nomes da oposição na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), não têm, em sua avaliação, o perfil necessário para fazer as reformas que o Estado precisa.

A declaração do tucano foi dada em entrevista à 97 FM, na qual Fábio fez uma análise dura da situação fiscal, administrativa e econômica do RN e disse que o próximo governador terá de tomar medidas difíceis logo no início do mandato.

Fabio Dantas (1)
Ex-vice-governador Fábio Dantas é um dos principais articuladores do PSDB no RN - Foto: José Aldenir

“O Rio Grande do Norte vai precisar de um governo. O perfil tanto de Allyson quanto de Álvaro não é de fazer reformas. E são necessárias”, afirmou Fábio, ao comparar a experiência de ambos em prefeituras com o desafio de administrar o Estado. Para ele, governar Natal ou Mossoró é muito diferente de comandar a máquina estadual, que envolve pressões de Poderes, órgãos autônomos e categorias organizadas.

Na entrevista, Fábio disse que um prefeito lida basicamente com a Câmara Municipal, enquanto um governador precisa negociar permanentemente com Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa e carreiras de servidores que pressionam por recomposição salarial e melhorias estruturais.

A crítica ocorre em um momento em que o RN segue pressionado por problemas fiscais. Segundo o Tesouro Nacional, o Estado comprometeu 56,41% da Receita Corrente Líquida ajustada com despesa de pessoal em 2025, acima do limite de 49% previsto para o Poder Executivo pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O dado ajuda a explicar o pano de fundo da fala de Fábio, que defende reformas estruturais e medidas impopulares para reorganizar a máquina pública.

Outro ponto sensível é a Previdência estadual. O Tribunal de Contas do Estado determinou medidas urgentes ao Governo do RN e ao Instituto de Previdência dos Servidores (Ipern), diante do déficit atuarial do regime próprio, estimado em R$ 54,3 bilhões. O TCE cobrou plano de ação, novo estudo atuarial, projeto de lei e estratégias para garantir equilíbrio futuro no pagamento de aposentadorias e pensões.

Para Fábio, o próximo governador terá pouco espaço para adiar decisões. Ele afirmou que, se Álvaro ou Allyson vencerem e não fizerem as reformas necessárias, poderão terminar o mandato politicamente desgastados ou aprofundar a crise do Estado. “Se eles não fizerem a reforma e vencerem a eleição, daqui a quatro anos eles vão ser colocados para fora do governo ou vão ganhar mais quatro anos e dilapidar de novo o Rio Grande do Norte”, disse.

Ao tratar de Allyson Bezerra, Fábio procurou relativizar a experiência administrativa do ex-prefeito de Mossoró. Segundo ele, Allyson administrou uma prefeitura em condições mais favoráveis, com investimentos herdados da gestão anterior e em um período de maior apoio federal aos municípios. “Ele herdou a prefeitura com mais de R$ 170 milhões de investimentos deixados pelo governo Rosalba”, afirmou.

Sobre Álvaro Dias, Fábio adotou tom menos duro no campo pessoal, mas manteve a crítica política. Disse ter simpatia pelo ex-prefeito de Natal, lembrou que Álvaro o apoiou na eleição de 2022 para o governo e elogiou sua atuação na saúde durante a pandemia de Covid-19. Ainda assim, afirmou que também não vê nele o perfil reformista exigido para enfrentar a estrutura estadual. “Acho que Álvaro foi governador do ponto de vista da saúde, porque na pandemia fez o papel que deveria ter feito o próprio Governo do Estado”, disse.

A fala atinge diretamente os dois nomes que hoje aparecem mais competitivos na disputa estadual. Pesquisa Exatus divulgada em abril mostrou Allyson Bezerra na liderança da estimulada para o Governo do RN, com 37,29%, seguido por Álvaro Dias, com 24,91%, e Cadu Xavier (PT), com 10,28%. O levantamento ouviu 1.518 eleitores entre 14 e 17 de abril, com margem de erro de 2,51 pontos percentuais. O registro na Justiça Eleitoral é o RN-08384/2026.

Fábio também afirmou que o Governo do Estado virou uma espécie de “cadeira elétrica”, pela capacidade de consumir politicamente quem assume o cargo sem enfrentar os problemas de fundo. Na avaliação dele, sucessivos governadores deixaram de tomar medidas logo no primeiro dia de gestão e acabaram empurrando a crise para a frente. “O Rio Grande do Norte ou muda no primeiro dia do governo”, afirmou.

O ex-vice-governador disse ainda que o Estado tem potencial econômico, mas é travado pela ação do poder público. Ele citou riquezas como litoral, petróleo, gás, cerâmica, terra e povo potiguar, mas afirmou que a iniciativa privada é quem sustenta a economia no dia a dia. “O elefante está cambaleado. Está precisando sair da peça teatral e entrar na vida real há muito tempo”, declarou.

Na avaliação de Fábio, qualquer governador eleito em 2026 enfrentará uma escolha difícil: fazer reformas impopulares e pagar o preço político ou evitar o desgaste e manter o Estado dependente de socorros e soluções temporárias. Para ele, o problema do RN não será resolvido apenas com discurso eleitoral, mas com coragem para mexer em despesas, rever estruturas e reorganizar prioridades.

“Eu tenho certeza que o governador que entrar aí vai ser um fracasso. Os próximos quatro anos vão ser um desastre, porque ou ele toma medidas que vão acabar a carreira política dele em curto prazo, ou ele não tomando as medidas, ele acaba o Estado e continua a gente dependente da sorte”, afirmou.