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Política

Joaquim Barbosa substitui Aldo Rebelo e provoca crise no Democracia Cristã

Partido substituiu Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa na corrida presidencial de 2026 e ampliou divisões internas
Por O Correio de Hoje
19/05/2026 | 14:54

A decisão do Democracia Cristã de substituir Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República desencadeou uma crise interna no partido e já provoca ameaças de contestação judicial.

Aldo Rebelo havia sido lançado oficialmente pela legenda em janeiro, em uma cerimônia na qual foi apresentado como uma alternativa da direita para a disputa presidencial. Sem representação no Congresso Nacional e sem tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão, o partido apostava na candidatura como forma de ganhar visibilidade no debate nacional.

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Ex-ministro do STF Joaquim Barbosa - Foto: Gil Ferreira / CNJ e Ex-ministro Aldo Rebelo - Foto: Instagram / Reprodução

Segundo interlocutores da sigla, Aldo recebeu um prazo de seis meses para demonstrar competitividade nas pesquisas de intenção de voto. O desempenho, porém, ficou abaixo do esperado.

Diante desse cenário, a direção nacional do partido, comandada pelo ex-deputado federal João Caldas, passou a apostar em Joaquim Barbosa, que se filiou ao DC em abril.

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Barbosa ganhou projeção nacional ao relatar o processo do mensalão, escândalo de corrupção que resultou na condenação de 24 réus, entre eles o ex-ministro José Dirceu. Primeiro negro a integrar a Suprema Corte, ele permaneceu no tribunal de 2003 a 2014.

A legenda submeteu o nome de Barbosa a pesquisas qualitativas para medir sua imagem junto ao eleitorado. Segundo o publicitário Adriano Gehres, responsável pelo levantamento interno, o ex-ministro apresenta potencial para atrair votos em diferentes segmentos.

“Como não habita nenhum dos dois campos ideológicos e ao mesmo tempo tem qualidades que chamam atenção dos eleitores de ambos os lados, Joaquim Barbosa tem potencial para tirar votos da esquerda e da direita. Ele ainda toma votos dos candidatos que pontuam abaixo dos 5% e não empolgam e, o principal, conquista votos entre os indecisos”, afirmou.

Joaquim Barbosa já ensaiou disputar a Presidência em 2018, quando se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas desistiu poucos meses depois.

Para a disputa de 2026, ele pretende centrar o discurso em propostas de moralização do Judiciário, em meio às discussões envolvendo o caso Banco Master, e estuda defender a criação de mandatos para ministros do STF.

A mudança no comando da pré-candidatura provocou forte reação de Aldo Rebelo, que afirmou que pretende manter seu projeto presidencial.

“Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos”, escreveu em nota divulgada nas redes sociais.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Aldo afirmou que recorrerá à Justiça caso sua pré-candidatura seja retirada.

“Se houver ameaça à minha pré-candidatura, nesta hipótese, a questão será judicializada”, declarou.

A decisão também acirrou divergências internas no partido. Presidente do diretório estadual do DC em São Paulo, o ex-deputado Cândido Vaccarezza classificou Joaquim Barbosa como um nome “inapoiável”.

Segundo Vaccarezza, o ex-ministro do STF “não tem compromisso com a democracia, nem experiência política”.

As críticas se repetiram em outros diretórios. Durante convenção do partido em Roraima, o presidente estadual da legenda, Paulo César Quartiero, chamou Barbosa de “vigarista” e “traidor”. A crítica remete ao voto do então ministro do STF no julgamento sobre a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

O episódio expõe o aprofundamento das divisões internas do Democracia Cristã e indica que a definição sobre quem representará o partido na disputa presidencial poderá acabar sendo resolvida fora do campo político, nos tribunais.