BUSCAR
BUSCAR
Conflito

Rússia e Ucrânia ampliam ofensivas e elevam tensão sobre mercado global de energia

Nova troca de ataques em larga escala dificulta negociações de paz e aumenta pressão sobre rotas internacionais de petróleo
Por O Correio de Hoje
19/05/2026 | 14:01

A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a se intensificar nesta segunda-feira 18, após uma nova troca de ataques em larga escala entre os dois países, elevando as dificuldades para retomada das negociações de paz e ampliando preocupações sobre o mercado global de energia.

Durante a madrugada, forças russas lançaram 524 drones e 22 mísseis contra cidades ucranianas, em uma ofensiva descrita por Kiev como resposta aos ataques promovidos pela Ucrânia contra Moscou no fim de semana. As cidades de Dnipro, no centro do país, e Odessa, principal porto ucraniano no sul, foram os principais alvos da operação. Pelo menos 32 pessoas ficaram feridas.

Ucrânia destruída
Escalada militar entre Moscou e Kiev pressiona negociações de paz - Foto: reprodução / internet

Em Odessa, três embarcações estrangeiras foram atingidas por destroços de drones abatidos pela defesa antiaérea ucraniana. Entre elas estava um cargueiro chinês, fato considerado sensível devido à proximidade diplomática entre China e o governo russo.

Em resposta, as forças do presidente Volodymyr Zelensky lançaram novos drones contra território russo. Segundo Kiev, os alvos foram instalações energéticas estratégicas. Autoridades russas informaram ao menos duas mortes na região de Belgorod, próxima à fronteira.

A escalada sucede o maior ataque já promovido pela Ucrânia contra a capital russa desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. No domingo, mais de 500 drones foram enviados em direção a Moscou, deixando pelo menos três mortos em áreas próximas à cidade.

Os ataques ucranianos ocorreram poucos dias após a maior ofensiva aérea russa registrada em todo o conflito. Ao longo de três dias na semana passada, Moscou disparou mais de 1.500 drones e dezenas de mísseis contra cidades ucranianas.

O avanço da violência ocorre em meio às discussões sobre uma possível retomada das negociações diplomáticas. Na semana passada, o Kremlin sugeriu o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder como possível mediador para futuras conversas de paz, proposta rejeitada por Kiev devido à proximidade histórica do político com Vladimir Putin.

Nesta segunda-feira 18, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou ainda acreditar na possibilidade de negociações, apesar do agravamento militar recente.

O cenário contrasta com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia criticado o recente mega-ataque russo à Ucrânia.

Zelensky, por sua vez, afirmou que os países europeus precisam definir um novo nome para mediação das negociações, diante da atenção crescente do governo americano para a crise envolvendo o Irã e o Oriente Médio.

Ao longo da guerra, ambos os lados passaram a utilizar ataques contra infraestrutura energética como instrumento estratégico de pressão econômica e militar. A Ucrânia tem concentrado ofensivas em instalações russas ligadas ao setor de energia, buscando reduzir receitas obtidas pelo Kremlin em meio à alta dos preços internacionais do petróleo.

O fechamento parcial do estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural, ampliou as exportações russas e fortaleceu a posição energética de Moscou nos últimos meses. Em meio ao novo cenário internacional, Trump chegou a suspender parcialmente restrições à comercialização de petróleo russo. A medida havia expirado, mas deverá ser prorrogada por mais 30 dias, segundo autoridades americanas.