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Saúde

1 em cada 10 pacientes com câncer tem mutação hereditária

Pesquisa aponta importância do teste genético para prevenção e rastreamento precoce de tumores
Por O Correio de Hoje
19/05/2026 | 12:57

Um estudo realizado no Brasil mostrou que cerca de 10% dos pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino apresentam mutações genéticas hereditárias associadas ao desenvolvimento da doença. O resultado reforça a importância da análise do genoma como ferramenta para identificar famílias com maior risco e adotar estratégias de prevenção e rastreamento precoce.

A pesquisa foi conduzida pelo Subprojeto de Oncologia do Mapa do Genoma Brasileiro (BGMO) e publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. O trabalho analisou 275 pacientes atendidos em hospitais públicos das cinco regiões do país. Desse total, 140 tinham câncer de mama, 70 apresentavam câncer colorretal e 65 haviam sido diagnosticados com câncer de próstata.

câncer de mama
Médica examina resultado de mamografia: câncer de mama é o mais comum entre mulheres - Foto: Agência Brasil

Os participantes tinham idade média de 58 anos. A maioria se autodeclarou parda, seguida por pessoas brancas e pretas. O estudo também incluiu a avaliação de familiares dos pacientes e constatou que uma parcela expressiva deles apresentava alterações genéticas relacionadas à predisposição ao câncer, mesmo sem sintomas ou diagnóstico prévio.

Entre os parentes testados, quase 40% possuíam a mesma mutação identificada no paciente oncológico da família, o que indica um risco aumentado para o desenvolvimento de tumores ao longo da vida.

Vice-presidente para a América Latina de Assuntos Científicos em Oncologia da Centogene, Raphael Parmeggiani afirma que os avanços da genética vêm transformando a forma como médicos compreendem o câncer.

“Hoje conseguimos olhar para o câncer de maneira muito mais individualizada. A genética permite identificar predisposições, antecipar riscos e pensar em abordagens mais eficazes tanto para prevenção quanto para tratamento”, disse.

O oncologista Breno Jeha, da Oncoclínicas, destaca que o teste genético tem papel importante justamente por identificar pessoas que podem se beneficiar de acompanhamento mais rigoroso.

“É super comum que muitas pessoas tenham receio, tenham medo de fazer o teste genético, mas o objetivo principal é justamente identificar quem são as pessoas que podem se beneficiar dessas estratégias de prevenção e de um rastreamento mais personalizado”, afirmou.

Segundo Jeha, o diagnóstico precoce aumenta de forma significativa as chances de sucesso do tratamento.

“Se isso for identificado precocemente, conseguimos acompanhar esses familiares de maneira mais próxima e eventualmente diagnosticar um tumor numa fase inicial, quando as chances de cura são realmente maiores.”

O especialista observa que algumas mutações, como alterações no gene BRCA, podem levar à adoção de medidas preventivas específicas, como a mastectomia bilateral redutora de risco em pacientes com predisposição ao câncer de mama. Além disso, certos perfis genéticos permitem o uso de terapias-alvo, desenvolvidas para atuar diretamente sobre alterações moleculares associadas ao tumor.

Jeha ressalta, no entanto, que a ausência de histórico familiar evidente não exclui a possibilidade de síndrome hereditária. Por isso, a indicação do teste genético deve ser avaliada com base em critérios clínicos e familiares.