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Saúde

Dor por mais de 3 meses deve ser investigada, alerta fisioterapeuta

Avaliação profissional deve ser procurada sempre que dor interferir na rotina, no sono e na qualidade de vida
Redação
19/05/2026 | 05:50

Sentir dor todos os dias não deve ser tratado como algo normal. O alerta é da fisioterapeuta Kelly Gama, especializada em dor crônica e fibromialgia. Ela defende a busca por avaliação profissional sempre que a dor passa a interferir na rotina, no sono, na prática de atividade física e na qualidade de vida.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM, nesta segunda-feira 18, ela afirmou que a dor pode ser apenas um sintoma, mas também pode se transformar em uma doença quando se prolonga e altera o funcionamento do sistema nervoso. “Toda dor pode ser um sintoma ou uma doença. Então, a dor como sintoma, você precisa investigar a causa do problema”, afirmou Kelly. “Não é normal todo dia sentir dor. Conviver com a dor não é normal.”

Dor por mais de 3 meses deve ser investigada, alerta fisioterapeuta
Kelly Gama é especialista em dor crônica - Foto: Instagram/Reprodução

Segundo a fisioterapeuta, a dor persistente deve acender um sinal de alerta especialmente quando ultrapassa três meses. A partir desse ponto, ela pode começar a limitar a vida do paciente, prejudicar o sono, afastar a pessoa dos exercícios e modificar o ritmo diário. O Ministério da Saúde adota o mesmo marco temporal ao tratar a dor crônica como dor persistente ou recorrente por mais de três meses.

“O problema da dor é a incapacidade que ela causa. Quando o seu corpo começa a alarmar com a dor, isso é apenas um sinal. Mas quando você persiste por mais de três meses, ela começa a limitar a sua vida”, explicou Kelly.

O tema ganhou destaque em maio por causa do Dia Nacional de Conscientização sobre a Fibromialgia, lembrado em 12 de maio. A síndrome é marcada por dor crônica generalizada, fadiga, alterações no sono e aumento da sensibilidade à dor. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia atinge entre 2% e 3% da população brasileira, principalmente mulheres.

Kelly explicou que, na fibromialgia, o sistema nervoso central fica mais sensível. Por isso, estímulos que não deveriam causar dor passam a incomodar. “Coisas que não eram para doer, doem. Isso é um processo fisiológico da própria doença”, disse.

Ela também diferenciou a dor comum da dor crônica. A dor mecânica costuma ter causa identificável, piora e melhora conforme postura, movimento ou esforço. Já a dor crônica envolve alterações de sensibilidade. “O paciente crônico é aquele que sente dor com coisas que não deveriam doer. A roupa incomoda, o paciente tem dor quando coloca um colar”, exemplificou.

No tratamento, Kelly destacou o papel da fisioterapia, que atua com avaliação funcional, alívio da dor e educação do paciente. Segundo ela, muitas vezes a própria rotina contribui para a piora do quadro, como permanecer muitas horas na mesma posição ou adotar posturas inadequadas.

A fisioterapeuta citou a neuromodulação como uma das abordagens usadas atualmente para pacientes com dor crônica e fibromialgia. A técnica, segundo ela, busca dessensibilizar o sistema nervoso e reduzir a percepção da dor. “Nós fazemos a neuromodulação e logo em seguida colocamos esse paciente para se movimentar. Estou ensinando o sistema nervoso central dele que ele pode se movimentar sem sentir dor”, explicou.

Kelly ressaltou, porém, que o tratamento deve ser individualizado e conduzido por profissionais capacitados. Também defendeu atividade física bem orientada, especialmente para pacientes com fibromialgia. A Sociedade Brasileira de Reumatologia aponta o exercício como uma das principais medidas não medicamentosas no tratamento da síndrome.

“Não é o exercício que causa dor. É o exercício quando ele não é bem indicado para você”, afirmou Kelly.