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Cinema

“O Gênio do Crime” ganha nova adaptação para os cinemas

Filme transporta clássico de João Carlos Marinho para a Copa do Mundo de 2026 e aposta em nostalgia, futebol e amizade para reunir pais e filhos no cinema
Por O Correio de Hoje
18/05/2026 | 13:17

Publicado originalmente em 1969, o livro O Gênio do Crime se tornou um dos maiores clássicos da literatura infantojuvenil brasileira. Mais de cinco décadas depois, a história da Turma do Gordo chega novamente às telas, agora em uma adaptação que moderniza o enredo sem abrir mão do espírito da obra original.

O filme estreou nos cinemas na quinta-feira 14 e transfere a trama para os dias atuais, em pleno clima da Copa do Mundo FIFA de 2026.

O Gênio do Crime
Para criar relação convincente entre os protagonistas mirins, os atores passaram por um mês de preparação antes do início das filmagens - Foto: Divulgação

No livro de João Carlos Marinho, os amigos Edmundo, Pituca, Gordo e Berenice investigam uma fábrica clandestina de figurinhas. A obra deu origem a uma coleção de sucesso e segue presente em escolas de todo o país.

O produtor Tiago Mello, idealizador do projeto, conta que o livro marcou sua infância. Após negociar os direitos com a família do autor, morto em 2019 aos 83 anos, ele decidiu levar a história ao cinema com o objetivo de aproximar a obra de uma nova geração.

Com a aprovação dos herdeiros, o roteiro passou por diversas versões até chegar ao texto final assinado por Ana Reber.

Para dirigir o longa, Mello convidou Lipe Binder, profissional com longa trajetória na televisão e que faz sua estreia no cinema. “Grande parte do audiovisual brasileiro quer contar histórias brasileiras. Vivemos em um mercado cheio de fórmulas, o streaming tomando conta, mas o Brasil tem muitas histórias para contar”, afirma Binder. “Acho que ajuda trazer a nossa identidade visual, de ter um audiovisual brasileiro. Usar os nossos livros para contar histórias brasileiras é muito importante”, acrescenta.

Na adaptação, Edmundo, interpretado por Samuel Estevam, encontra a figurinha rara de Vinícius Júnior que falta para completar seu álbum da Copa do Mundo FIFA de 2026.

A fabricante promete premiar o dono da figurinha com uma viagem para assistir à final do torneio.

Ao lado dos amigos João, o Gordo (Francisco Galvão), e Pituca (Breno Kaneto), o garoto vai até a fábrica para reivindicar o prêmio, mas descobre que várias pessoas aparecem com a mesma figurinha premiada.

O dono da empresa, Seu Tomé, vivido por Ailton Graça, afirma que alguém está falsificando os cromos, ameaçando o negócio.

Os meninos passam então a investigar o caso e contam com a ajuda de Berenice, interpretada por Bella Alelaf. “No livro, ela entrava mais para o final e adaptaram no filme para ela entrar mais para a metade. Quando eu descobri que passei, eu li o livro para me inspirar e colocar essas características no filme”, conta a atriz.

A ampliação do papel de Berenice está entre as mudanças feitas para atualizar a narrativa.

Lipe Binder explica que algumas adaptações buscaram adequar a história à sensibilidade atual. “Por incrível que pareça, hoje em dia a adaptação está um pouco mais delicada. Mudou muita coisa.” “Por exemplo, no livro, o Gordo, todo mundo chama ele de gordo, tem farelo de comida na mochila dele, ele passa pela padaria e fica olhando um sonho. Nós não achamos isso apropriado para os dias de hoje”, afirma.

No filme, “Gordo” é tratado como um apelido usado apenas entre amigos próximos. O personagem ganhou o nome de João, em homenagem ao autor do livro.

Ao mesmo tempo, a produção preserva elementos capazes de despertar a memória afetiva dos adultos, com referências ao cinema policial clássico e objetos como fitas cassete, usadas em uma das cenas pelo professor de educação física interpretado por Douglas Silva.

Para o elenco, o filme aposta em temas universais e atemporais. “Sem querer fazer trocadilho, mas já fazendo, essa troca de figurinhas que vai acontecer entre pais e filhos potencializa as relações”, afirma Marcos Veras, que interpreta o detetive Mister Mistério.

“Um pai, quando pega um álbum de figurinhas de 1994 e mostra para um filho que tem dez anos, vai falar: ‘olha, a gente voltou a ser campeão [naquele ano]’. Eu acho que o filme vai ajudar nessa troca de informações também.”

Marcos Veras também destaca o resgate do espírito de coletividade. “Vivemos em uma era da tecnologia, do celular, que individualiza as brincadeiras. Resgatar essa coisa da turma, da amizade, ‘a gente não faz nada sozinho’, vamos investigar, é muito bacana para as novas gerações.”

Douglas Silva lembra que o futebol é outro elo natural entre diferentes gerações. “Brasileiro não falar de futebol, não tem como. E não só em ano de Copa.” “Resgatou o álbum de figurinhas, juntou com essa temática de turma e com o futebol, não tem como. São assuntos que nossos avós e pais falaram e nossos filhos e netos também vão falar.”

Para criar uma relação convincente entre os protagonistas mirins, os atores passaram por um mês de preparação antes do início das filmagens. “O laço que criamos foi muito rápido. Na segunda semana que estávamos nos encontrando parecia que já nos conhecíamos há anos”, afirma Bella Alelaf.

Breno Kaneto concorda. “O meu laço com todo mundo foi muito rápido porque eu — e meu personagem também — sou muito amigável. Logo que conhece alguém já vira amigo.”

Segundo Douglas Silva, o grupo demonstrou profissionalismo no set. “Quando eles viam que era o momento de gravar, eles paravam, se concentravam e faziam. Isso foi muito bacana.”

As filmagens ocorreram principalmente em julho de 2025 e passaram por cerca de 30 locações em São Paulo, incluindo o parque gráfico do jornal O Estado de S. Paulo, transformado na fábrica de figurinhas Escanteio, de Seu Tomé.

Após um ano de trabalho, Lipe Binder espera que o longa ajude a fortalecer o cinema infantojuvenil brasileiro. “A expectativa é que os adultos, como nós, relembrem das suas próprias crianças.” “E também de estabelecer esse gênero no cinema brasileiro — não é infantil, é infantojuvenil, e tivemos pouco público e poucos produtos.”

“Eu espero que a criançada goste e a gente traga esse gênero para cá e mostre que sabemos fazer também.”