Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, transformou a defesa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) em novo eixo de enfrentamento político contra o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL). Em entrevista à TCM Mossoró nesta quinta-feira 15, Cadu afirmou que a discussão levantada por Álvaro sobre federalização ou privatização da Uern revela, na avaliação dele, um pensamento da “classe dominante” e da “elite” potiguar, que enxergaria a universidade como peso para o Estado, e não como instrumento de transformação social.
A fala foi dada após evento do campo progressista em Mossoró em defesa da Uern, com participação de lideranças políticas, professores, servidores, estudantes e representantes da comunidade acadêmica. O ato foi uma reação às declarações de Álvaro, que, em entrevista na cidade, deixou em aberto o debate sobre possíveis mudanças no modelo de gestão da universidade.

“Esse evento nasce das declarações de um dos pré-candidatos ao governo falando em privatização, falando em federalização da Uern”, afirmou Cadu. “Nós, do campo progressista, nós que temos compromisso com a Uern, compromisso histórico, fizemos esse movimento.”
Segundo o pré-candidato petista, a Uern tem importância justamente por atender majoritariamente estudantes de origem popular. Cadu afirmou que 80% dos alunos da universidade são provenientes da rede pública estadual. Para ele, esse dado ajuda a explicar a resistência de setores conservadores à manutenção e ao fortalecimento da instituição como universidade pública estadual.
“A Uern não é um peso. É uma ferramenta de transformação da vida do povo do nosso Estado”, disse. “Oitenta por cento dos alunos da Uern são provenientes da rede pública estadual, ou seja, filhos de trabalhador, filhos de agricultor. E essas classes dominantes não aceitam isso.”
Cadu disse que o pensamento exposto por Álvaro não seria isolado, mas parte de uma visão antiga de setores políticos do Estado. Ele associou essa postura a governos passados e citou momentos de tensão entre servidores da Uern e gestões anteriores. Segundo o petista, a diferença do governo Fátima Bezerra (PT) foi ter tratado a universidade com diálogo e fortalecimento institucional.
O ex-secretário estadual da Fazenda destacou duas medidas do governo Fátima como marcas da relação com a universidade: a autonomia financeira da UERN e o fim da lista tríplice na escolha da reitoria. Para Cadu, essas ações demonstram que o campo governista não defende a universidade apenas em discurso.
“A Uern, no governo da professora Fátima, teve duas conquistas históricas. Primeiro, a autonomia, a sonhada autonomia financeira da Uern. Depois, o fim da lista tríplice, respeitando a democracia da comunidade acadêmica”, afirmou.
A estratégia de Cadu foi usar a Uern como símbolo de contraste entre dois projetos. De um lado, tenta apresentar o PT e aliados como defensores da educação pública, da autonomia universitária e da inclusão social. De outro, busca enquadrar Álvaro como representante de uma visão elitista, distante da população que depende da universidade pública para acessar o ensino superior.
Cadu também procurou se diferenciar de Allyson Bezerra (União Brasil), que também reagiu publicamente em defesa da Uern após a fala de Álvaro. Questionado sobre a semelhança entre os discursos entre ele e Allyson , o pré-candidato do PT disse que a diferença está nas ações.
Segundo Cadu, Allyson adotou a defesa da universidade depois de perceber a repercussão negativa das declarações de Álvaro. O petista afirmou que, enquanto o governo Fátima valorizou servidores e professores da Uern, Allyson teria tido uma relação dura com os servidores municipais durante sua gestão em Mossoró.
“O discurso é muito fácil. Até porque ele viu a repercussão negativa que deu a fala do ex-prefeito de Natal”, disse Cadu. “O nosso discurso é casado com ações. Nós demos autonomia à Uern, nós acabamos com a lista tríplice, nós fortalecemos a democracia da comunidade acadêmica.”
Cadu afirmou ainda que os problemas fiscais do Estado não podem ser enfrentados com ataques a categorias do serviço público ou à universidade. Ao comentar os limites de gastos com pessoal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, disse que o caminho é manter a economia crescendo, controlar a expansão da folha e ampliar a capacidade de investimento.
Na mesma entrevista, Cadu reforçou que pretende disputar a eleição como o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Norte. Disse que a chapa do campo progressista será o “time de Lula” e afirmou que estará no segundo turno. Para ele, a eleição estadual tende a se organizar entre esquerda e direita, mas com mais de um nome disputando o campo oposicionista.
“Nessa discussão, todo mundo tem lado. A gente tem o Cadu de Lula, temos o Álvaro Dias de Bolsonaro e temos o Allyson Bezerra de Robinson Faria e José Agripino”, declarou.