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Política

PT ainda não fechou com Rafael Motta

Declaração de Sandro Pimentel indica que PT ainda discute composição da chapa ao Senado e mantém diálogo aberto com aliados do campo progressista
Por O Correio de Hoje
15/05/2026 | 15:03

A segunda vaga ao Senado na chapa governista do Rio Grande do Norte ainda não está fechada com Rafael Motta (PDT), apesar da indicação formal feita pelo PDT. A avaliação ganhou força após declaração do presidente estadual do Psol, Sandro Pimentel, em entrevista à Rádio Universitária. Pré-candidato ao Senado pelo partido, Sandro afirmou que recebeu ligação da vereadora Samanda Alves (PT), presidente estadual do PT e também pré-candidata ao Senado, para iniciar uma conversa sobre a composição da chapa.

Segundo Sandro, Samanda disse que o PT ainda não tem uma definição sobre o segundo nome para o Senado. A fala relativiza a leitura de que Rafael Motta já esteja plenamente sacramentado como companheiro de chapa de Samanda na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026.

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Sandro Pimentel afirmou que recebeu ligação de Samanda Alves para discutir composição da chapa governista ao Senado em 2026 Foto: José Aldenir

“Samanda me disse hoje, na ligação, que o PT não tem o segundo nome. A gente tem conversas, tem diálogos, mas tem possibilidades”, afirmou Sandro durante a entrevista. O dirigente do Psol disse que a conversa com Samanda deve ocorrer na próxima semana. Segundo ele, a vereadora entrou em contato enquanto estava em Mossoró, onde participou de ato do campo progressista em defesa da Uern, ao lado de Cadu Xavier (PT) e outras lideranças ligadas ao governo Fátima Bezerra (PT).

A declaração de Sandro recoloca o Psol no tabuleiro da chapa majoritária governista. O partido lançou o próprio nome ao Senado e também trabalha a pré-candidatura de Robério Paulino (Psol) ao Governo do Estado. Mesmo assim, Sandro fez questão de ressaltar que a relação com o PT é boa, que o Psol apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a política, neste momento, ainda está em movimento.

“A relação do Psol com o PT é muito boa. Nós vamos apoiar o presidente Lula. Eu faço parte hoje também do diretório nacional. Nós aprovamos por unanimidade o apoio ao presidente Lula à reeleição”, disse. O ponto sensível é que o PDT já anunciou Rafael Motta como seu nome para o Senado, numa composição que prevê Jean Paul Prates (PDT) como primeiro suplente. A definição, porém, ainda precisa ser incorporada pelo conjunto de partidos que compõem o arco de alianças de Cadu Xavier. E é justamente nessa fresta que Sandro tenta se colocar.

A própria Samanda já havia deixado o tema em aberto em entrevista recente. Ela afirmou que Rafael é um dos nomes colocados pelo PDT, mas citou também o ex-prefeito de Carnaubais Luizinho Cavalcante (PSB), apresentado pelo PSB, e mencionou o diálogo com outros partidos que integram ou orbitam o campo progressista.

Cadu Xavier adotou linha parecida em entrevista à TCM Mossoró. O pré-candidato ao Governo disse que o nome de Rafael Motta está posto até este momento, por indicação do PDT, mas evitou tratar a escolha como assunto encerrado. Segundo ele, a formalização da chapa dependerá de uma reunião com todos os partidos aliados.

“Como disse Samanda, ainda não há formalização, mas é um processo que está encaminhado”, afirmou Cadu. Ele acrescentou que o debate envolve PT, PCdoB e PV, partidos da federação, além de PDT, PSB e a tentativa de diálogo com o próprio Psol.

Na prática, há dois movimentos simultâneos. De um lado, o PDT tenta consolidar Rafael Motta como o segundo nome ao Senado da chapa governista. De outro, PT e aliados evitam fechar publicamente a composição antes de uma costura mais ampla, que pode envolver a busca por unidade no campo de centro-esquerda já no primeiro turno.

Sandro Pimentel tenta ocupar esse espaço. Na entrevista, ele explicou que o Psol decidiu lançar candidaturas para todos os cargos proporcionais e majoritários em 2026, incluindo deputado estadual, deputado federal, Governo e Senado. Disse que aceitou a missão de disputar o Senado por decisão partidária e afirmou que o Psol não funciona como uma legenda com “dono”, mas por deliberação coletiva.

“Nós, no Psol, fazemos um debate muito democrático. Nós não somos aquele partido que tem quem manda e quem obedece, não tem dono. Somos todos filiados e cada um tem direito a um voto”, declarou.

O ex-deputado estadual também disse que o partido chegou a discutir a possibilidade de lançar um segundo nome ao Senado dentro da própria legenda. Segundo ele, havia dois nomes interessados na vaga, mas a conversa com o PT ainda poderia alterar o desenho.