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Saúde

Menina com suspeita de infecção por detergente apresenta melhora

Caso ganhou repercussão após Anvisa determinar suspensão de lotes específicos por possível contaminação microbiológica
Por O Correio de Hoje
15/05/2026 | 14:14

A menina Maria Clara Pereira da Silva, de 10 anos, que está com suspeita de contaminação por detergente da marca Ypê, apresentou melhora no quadro clínico após ser transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago nesta quarta-feira 13, em Natal. A mãe da criança, Tatiane Gomes, relatou, em entrevista à TV Tropical, alívio com a evolução da saúde da filha.

Segundo ela, a criança segue apresentando sintomas, mas já teve evolução positiva nas últimas horas. “A minha filha está com sintomas, mas não precisou de tomar adrenalina hoje aqui no hospital. A gente está no mesmo medicamento da UPA. Coletaram os exames e está para sair o resultado, para ver em que eles vão mudar o medicamento”, explicou a mãe.

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Mãe relata avanço no tratamento após filha deixar de precisar de adrenalina Foto: reprodução / tv tropical

Tatiane afirmou ainda que a filha passou mal na manhã desta quinta-feira 14, mas não precisou receber adrenalina, o que foi considerado um avanço pela família. “Ela já teve uma boa melhora. Só dela não precisar tomar adrenalina”, disse.

Maria Clara vinha sendo atendida há cerca de oito dias no Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, e também na UPA de Pajuçara, na Zona Norte de Natal. A menina estava internada com um quadro de infecção grave enquanto aguardava transferência para uma unidade com UTI pediátrica.

A família suspeita que o problema de saúde tenha começado após a menina sofrer um corte em uma das mãos e, em seguida, lavar o local utilizando um detergente da marca Ypê, cujo a venda foi proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, a causa exata do quadro clínico ainda depende de exames laboratoriais.

De acordo com a mãe, parte dos exames precisou ser enviada para análise fora da unidade hospitalar. “A gerência do hospital me falou que os exames que não são feitos aqui, são mandados para fora para saber mesmo o que ela tem”, afirmou.

Acompanhamento

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que acompanha o caso de uma criança internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pajuçara, na Zona Norte de Natal, com suspeita de possível contaminação por detergente. A situação está sendo investigada pela vigilância epidemiológica.

Segundo a Sesap, a fiscalização de produtos com suspeita de contaminação na capital é de responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal. Nos demais municípios, a atribuição é da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa), que informou que, até o momento, não houve apreensão de produtos do lote citado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A avaliação técnica de risco sanitário dos produtos listados na Resolução nº 1.834/2026 foi conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), que divulgou a relação dos produtos e lotes envolvidos.

Caso Ypê

A Anvisa determinou no último dia 7 a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos da marca Ypê após identificar falhas graves no processo de produção da empresa Química Amparo, responsável pela fabricação dos itens. A decisão também incluiu o recolhimento dos produtos atingidos.

A medida foi publicada na resolução RE nº 1.834/2026 e atinge detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados na unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. Segundo a Anvisa, somente os lotes terminados com o número 1 foram afetados pela determinação.

A orientação veio após inspeções da vigilância sanitária constatarem a incapacidade da empresa de resolver falhas na produção, identificadas inicialmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.

Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade dos produtos saneantes. Segundo a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das chamadas Boas Práticas de Fabricação (BPF), conjunto de regras sanitárias obrigatórias para a indústria.

A agência afirmou ainda que as falhas identificadas indicam “risco à segurança sanitária dos produtos”, com possibilidade de contaminação microbiológica — presença indesejada de microrganismos patogênicos que podem comprometer a segurança do consumidor.