O Rio Grande do Norte registrou uma queda na taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2026. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desocupação no Estado encerrou o ciclo entre janeiro e março na casa de 7,6%, o que representa o 4º menor índice entre os estados do Nordeste. Os números foram divulgados nesta quarta-feira 13 dentro da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
O número representa uma redução de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando o Estado registrava 9,9% de desocupação. Em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2025, quando a taxa era de 6,7%, foi observada alta de 0,9 ponto percentual.

Em âmbito regional, o maior índice de desemprego do Nordeste foi registrado na Bahia e em Pernambuco, cada um com taxa de 9,2%. O melhor resultado, por outro lado, foi encontrado no Maranhão, com 6,9%.
Vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), o economista Arthur Néo afirma que, se por um lado há queda na taxa de desocupados, muitas vezes o trabalho não é qualificado e com baixa renda. Segundo o IBGE, a renda mensal do trabalhador potiguar ficou em R$ 2.953 no fim do primeiro trimestre. No trimestre anterior, a média era de R$ 2.881.
“Muito embora a taxa de desocupados tenha caído, essa geração de emprego é de baixíssima renda e produtividade. Isso é fruto de um estado que precisa melhorar o seu nível educacional, a qualificação dos seus trabalhadores, e, agregado a isso, a inclusão de novas tecnologias, novas fontes de trabalho e industrialização, para que essa renda média aumente”, disse o economista.
O IBGE estima que cerca de 113 mil pessoas estavam desocupadas no RN até março deste ano, número 25,4% menor que o registrado no mesmo intervalo de 2025. Em termos absolutos, isso significa que 39 mil pessoas conseguiram entrar no mercado de trabalho de um ano para o outro.
O economista pondera, no entanto, que de maneira geral os dados são positivos, já que o RN vem apresentando uma evolução consistente no mercado de trabalho. “O grande desafio agora é transformar essa melhora quantitativa em empregos de maior qualidade”, disse.
O economista destaca ainda que os resultados sinalizam um processo gradual de recuperação do mercado de trabalho do Estado.

“Um outro dado que eu acho importante a ser destacado é o desalento. Desalento em economia é aquela pessoa que procurou emprego, não encontrou e perdeu a expectativa”, disse.
A Pnad Contínua apontou a existência de 60 mil desalentados no primeiro trimestre de 2026 no Rio Grande do Norte, queda de 17,9% em relação ao trimestre anterior, quando havia 73 mil pessoas nessa condição. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o contingente era de aproximadamente 80 mil pessoas, a redução chegou a 24,9%. Para o economista, esse aumento é importante pois mostra que as pessoas estão confiantes em voltar a trabalhar.
A pesquisa mostrou que a taxa de informalidade no Estado foi estimada em 41,5% entre janeiro e março deste ano, abaixo dos 42,1% registrados no trimestre anterior. Apesar de permanecer acima da média nacional, de 37,3%, o índice potiguar foi o menor entre os estados do Nordeste e também inferior à média regional, de 48,9%.
Entre os ocupados no Estado, 444 mil possuíam carteira assinada no setor privado no fim de março, enquanto 208 mil atuavam sem registro formal.
“Isso é um problema gigante, porque a informalidade deixa de trazer receita para o Estado. A informalidade não traz os dados necessários que o Estado precisa para avaliar políticas públicas para esse grupo. Então, a campanha de formalização dessas pessoas se faz extremamente importante”, disse.
Na média do cenário nacional, o País encerrou o primeiro trimestre com uma taxa de desocupação de 6,1%. O resultado é 1 ponto percentual maior que o do quarto trimestre do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2025, contudo, o número é 0,9 ponto percentual menor.
A Pnad Contínua é o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, que são visitados a cada trimestre. l