A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec) divulgou, nesta quinta-feira 14, o relatório referente ao primeiro trimestre de 2026 da produção de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte. O documento aponta redução na produção terrestre e marítima de petróleo no Estado, cenário associado principalmente ao comportamento operacional de campos maduros e à diminuição de novos projetos de exploração.
Segundo o levantamento, a produção onshore de petróleo somou 2,25 milhões de barris entre janeiro e março deste ano, contra 2,68 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado representa retração de 15,85%. A produção terrestre de gás natural também apresentou queda, passando de 95,32 milhões para 75,93 milhões de metros cúbicos, redução de 20,34%.

Na produção offshore, o Estado registrou extração de 163 mil barris de petróleo no trimestre, volume 15,42% inferior aos 192,72 mil barris produzidos no mesmo intervalo do ano passado. Em contrapartida, a produção marítima de gás natural avançou 2,75%, saindo de 12,41 milhões para 12,75 milhões de metros cúbicos, movimento que, segundo a Sedec, indica maior participação do insumo no perfil produtivo offshore.
De acordo com a secretaria, as oscilações estão relacionadas principalmente à dinâmica técnica dos campos maduros em operação no Estado, marcada pela redução gradual da pressão natural dos reservatórios ao longo do tempo.
A pasta também destacou que o comportamento da produção de gás natural acompanha, em grande parte, a atividade petrolífera associada, além de fatores operacionais específicos das áreas de exploração.
Segundo informações do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), vinculado à Sedec, houve redução na entrada de novos processos prioritários de exploração e perfuração no período, especialmente relacionados a licenças prévias para novos poços.
O governo estadual afirmou que a diminuição dos processos não possui relação com eventuais atrasos na análise ambiental dos pedidos junto ao órgão licenciador. De acordo com relatório do Idema, o cenário decorre principalmente da redução de novos projetos apresentados pelas operadoras e da reavaliação de investimentos no setor.
O levantamento aponta ainda aumento no número de pedidos de prorrogação de licenças já emitidas, em substituição à abertura de novos processos de licenciamento ambiental, além do abandono temporário de determinados empreendimentos por parte de empresas operadoras.
Outro fator apontado como relevante para a queda na produção foi a interdição temporária de instalações operacionais de uma das empresas responsáveis por grande parte dos poços maduros ativos no estado. A paralisação ocorreu no último trimestre de 2025 em razão de adequações técnicas relacionadas a auditoria conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, afirmou que o governo acompanha permanentemente o desempenho da atividade petrolífera devido à relevância do setor para a geração de empregos e arrecadação estadual.
“Estamos atentos, e todas as instâncias da gestão devidamente mobilizadas para avaliarmos se há algo além do que já fazemos e que seja da nossa competência para atuarmos. É uma questão preponderantemente técnica e as empresas estão trabalhando para superar”, declarou.