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Caso Master

PF prende pai de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte

Operação da PF apura atuação de grupo acusado de intimidar jornalistas, invadir sistemas e favorecer interesses do Banco Master
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 15:31

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira 14, em Belo Horizonte, o empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele é investigado por suposta participação em um grupo conhecido como “A Turma”, apontado pelas autoridades como uma organização voltada à intimidação de adversários, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos eletrônicos.

Segundo as investigações, Henrique Vorcaro atuava na contratação e no pagamento de serviços executados tanto por integrantes de “A Turma” quanto por outro núcleo denominado “Os Meninos”, formado por hackers que, de acordo com a PF, teriam sido usados para derrubar reportagens desfavoráveis ao Banco Master e disseminar conteúdos positivos sobre Daniel Vorcaro.

henrique vorcaro
Henrique Vorcaro integrava “A Turma” Foto: Arquivo Pessoal

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da 6ª fase da Operação Compliance Zero.

Em nota, a Polícia Federal informou que a ação busca aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de praticar crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, violação de sigilo funcional e organização criminosa.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A decisão judicial também determinou afastamentos de servidores públicos e o sequestro e bloqueio de bens.

Entre os investigados, estão uma delegada da Polícia Federal, afastada do cargo, e um agente da corporação, que foi preso sob suspeita de repassar informações sigilosas ao grupo. Dois policiais federais aposentados também foram alvo de mandados de busca e apreensão, e um deles teve a prisão decretada.

Material apreendido pela Polícia Federal em março mostrou que “A Turma” discutia ações para intimidar jornalistas e adversários do Banco Master. Em uma das conversas, integrantes mencionaram a intenção de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim.

Segundo a investigação, a sugestão partiu de Daniel Vorcaro e foi dirigida a Luiz Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, referência a matadores de aluguel. De acordo com a PF, ele e um ex-policial federal participavam de invasões a sistemas de órgãos públicos, monitoramento de alvos e ações para melhorar a imagem do banco e de seu controlador.

Luiz Mourão morreu após ser preso em março deste ano. Segundo a Polícia Federal, ele cometeu suicídio.

Na mesma fase da investigação, também foi preso preventivamente Fabiano Zettel, apontado como responsável por organizar pagamentos ligados ao grupo.

As apurações indicam ainda que Henrique Vorcaro mantinha atuação ativa na estrutura financeira do Banco Master e em empresas controladas em conjunto com o filho. Segundo a PF, essas companhias teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e movimentar recursos relacionados ao esquema investigado.