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CNI

CNI articula plataforma de produção com a XP

Proposta discutida em Nova York prevê criação de plataforma conjunta voltada à internacionalização de empresas e inteligência de mercado
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 14:03

A Confederação Nacional da Indústria apresentou à XP Inc. uma proposta para criação de uma plataforma conjunta voltada à expansão produtiva, internacionalização de empresas brasileiras e atração de capital para projetos estratégicos da indústria nacional. A iniciativa foi debatida nesta terça-feira 12, durante agenda da entidade na Semana do Brasil, em Nova York.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, participou do encontro acompanhado de dirigentes de federações estaduais da indústria. A proposta prevê a criação de um grupo de trabalho e a implementação de um projeto piloto envolvendo escritórios internacionais da entidade e setores considerados prioritários para atração de investimentos e compartilhamento de inteligência de mercado.

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Proposta discutida em Nova York prevê criação de plataforma conjunta voltada à internacionalização de empresas e inteligência de mercado Foto: Iano Andrade / CNI

Segundo Alban, o cenário global atual favorece iniciativas de integração entre instituições capazes de combinar presença territorial, inteligência econômica e estruturação financeira.

“Vivemos um momento em que decisões de investimento são cada vez mais influenciadas por geopolítica, reorganização de cadeias globais e gestão de risco. Isso abre espaço para parcerias que combinem inteligência de mercado, presença territorial e capacidade de estruturação financeira, como a que vemos com a XP”, afirmou.

A proposta da CNI é utilizar a rede de federações estaduais e escritórios internacionais como centros permanentes de inteligência aplicada para mapear oportunidades de negócios, movimentos de realocação industrial, tensões comerciais e prioridades de política industrial em diferentes mercados.

“Queremos usar os escritórios como hubs de inteligência aplicada, não apenas institucionais. Isso inclui uma troca regular de informações geopolíticas, com movimentos de realocação industrial, tensões comerciais e prioridades de política industrial em diferentes regiões”, disse Alban.

Participaram da reunião os executivos Rafael Furlanetti e Fernando Ferreira, além de representantes das federações industriais. O encontro também discutiu perspectivas econômicas e oportunidades para ampliação da competitividade da indústria brasileira no cenário internacional.

Pela manhã, dirigentes da indústria participaram de reunião com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, Will Landers, e com o CEO da Grant Thornton Brasil, Daniel Maranhão, que apresentou análises sobre governança corporativa, inteligência artificial, inovação e gestão de talentos.

Durante os debates, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, afirmou que a indústria brasileira enfrenta perda crescente de competitividade em razão da elevada carga tributária e do chamado custo Brasil. Segundo ele, o setor precisa acelerar investimentos em inovação e pesquisa aplicada.

“Muito se fala inovação, muito se fala de IA, muito se fala de projetos estruturantes, mas quando você entra na empresa, esse produto ainda não está lá na prateleira”, afirmou Longen.

A agenda também incluiu discussões sobre desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva na Amazônia Legal. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia, Marcelo Thomé, defendeu maior coordenação institucional para modernizar a agenda econômica da região amazônica.

Segundo Thomé, apesar do elevado potencial ambiental e produtivo da região, persistem desafios estruturais ligados à pobreza, baixa inclusão financeira e fragilidade das cadeias produtivas. Ele destacou que a taxa de pobreza na Amazônia Legal alcança cerca de 36%, acima da média nacional de aproximadamente 21%.

“A Amazônia não sofre de ausência de potencial. Ela sofre de ausência de coordenação econômica capaz de transformar esse potencial em prosperidade estruturada, sustentável e inclusiva”, afirmou.