Avaliações confidenciais das agências de inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã recuperou acesso à maior parte de suas instalações militares estratégicas, contrariando declarações públicas do governo do presidente Donald Trump sobre um suposto colapso da capacidade bélica iraniana.
Os relatórios, apresentados reservadamente a integrantes do governo americano nas últimas semanas, apontam que Teerã voltou a operar a maioria de seus locais de lançamento de mísseis, instalações subterrâneas e estruturas militares ao longo do Estreito de Ormuz, área considerada estratégica para o transporte global de petróleo.

Segundo pessoas com conhecimento das análises, o ponto de maior preocupação entre autoridades americanas é a recuperação operacional de 30 dos 33 locais de mísseis mantidos pelo Irã na região do estreito. As estruturas poderiam ser utilizadas contra navios de guerra e petroleiros americanos que transitam pela rota marítima.
As avaliações indicam que, dependendo do nível de dano sofrido em ataques anteriores, os iranianos já conseguem utilizar lançadores móveis localizados em instalações subterrâneas para deslocar mísseis a outras áreas ou até realizar disparos diretamente dessas bases. Apenas três posições permanecem totalmente inacessíveis.
Os relatórios também apontam que o Irã preserva cerca de 70% de seus lançadores móveis e mantém aproximadamente 70% do estoque de mísseis existente antes do início da guerra. O arsenal inclui mísseis balísticos de médio alcance e uma quantidade menor de mísseis de cruzeiro capazes de atingir alvos terrestres e marítimos.
As informações foram reunidas por agências de inteligência militar a partir de imagens de satélite, sistemas de vigilância e outras fontes de monitoramento. Segundo as conclusões, cerca de 90% das instalações subterrâneas iranianas de armazenamento e lançamento de mísseis já são consideradas “parcialmente ou totalmente operacionais”.
O conteúdo dos relatórios diverge diretamente da narrativa adotada pela Casa Branca e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que vinham afirmando publicamente que as forças militares iranianas haviam sido “dizimadas” e deixado de representar ameaça relevante.
Em entrevista à CBS News no último dia 9 de março, Trump declarou que os mísseis iranianos haviam sido reduzidos “a um número disperso” e que o país “não tinha mais nada em termos militares”. Hegseth, por sua vez, afirmou em abril que as operações militares haviam tornado as forças iranianas “ineficazes em combate por muitos anos”.
Enquanto o debate sobre a efetividade da ofensiva segue em Washington, os custos da guerra continuam aumentando. O controlador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Jay Hurst, afirmou ao Senado que os gastos militares no conflito já alcançam US$ 29 bilhões, acima dos US$ 25 bilhões estimados pelo Pentágono há duas semanas.
O governo americano ainda não informou qual será o valor adicional solicitado ao Congresso para financiar a continuidade da operação militar, que já dura 11 semanas e mantém elevada a tensão geopolítica no Oriente Médio e nos mercados globais de energia.