Conhecido nacionalmente como um dos fundadores do Raimundos, Rodolfo Abrantes voltou a revisitar publicamente o período mais turbulento de sua trajetória pessoal e artística. Hoje cantor gospel e figura consolidada no meio evangélico, o músico lançou a série documental “Mulher de Fases”, produção que aborda os bastidores de sua carreira, o envolvimento com drogas, sexo, fama e o processo de transformação espiritual que redefiniu sua vida.
Em entrevista, Rodolfo afirmou que não pretende retornar ao estilo de vida que levava durante os anos de maior sucesso da banda. “Não vou voltar de jeito nenhum a ser quem eu era”, declarou. A série foi lançada no canal do cantor no YouTube e tem direção de Felipe Ferni. O título faz referência a um dos maiores sucessos do Raimundos, lançado na década de 1990, período em que o grupo se tornou um dos principais nomes do rock brasileiro.

Ao longo dos episódios, Rodolfo revisita momentos marcados por excesso de álcool, drogas, relacionamentos superficiais e crises emocionais. Segundo ele, a produção busca mostrar como o sucesso e a fama conviviam com um profundo sentimento de vazio. “Hoje você faz muito diferente da época dos Raimundos. Sente vergonha quando ouve aquelas letras antigas?”, foi questionado durante a entrevista.
O cantor respondeu afirmando que não renega o passado, mas reconhece que vivia um processo de autodestruição. “Passei por todas as fases e já tive rejeição total. Hoje em dia, respeito a minha história. Aquilo era um retrato do que eu vivia”, afirmou.
Rodolfo relembrou que o ambiente em torno da banda era marcado por estímulos constantes ligados a sexo, álcool e drogas. Segundo ele, aquele contexto fazia parecer natural um comportamento que hoje considera destrutivo. “Naquela época, o que eu vivia parecia liberdade. Hoje eu vejo que era escravidão”, declarou.
O músico afirmou que o sucesso comercial não foi suficiente para preencher questões emocionais profundas. “Eu nasci de novo quando Jesus me libertou da pornografia”, disse. Ao falar sobre a própria transformação espiritual, Rodolfo afirmou que encontrou na fé cristã um sentido que não existia durante o auge da fama.
“É um sonho ter uma banda e receber uma mensagem de libertação”, afirmou ao comentar relatos de fãs que passaram a acompanhar sua carreira gospel. Segundo ele, o novo momento artístico é construído com outra lógica emocional e pessoal. “Eu não preciso provar nada para ninguém”, disse.
A série “Mulher de Fases” também mergulha nos bastidores da explosão do Raimundos nos anos 1990. Misturando entrevistas, imagens de arquivo e depoimentos, a produção mostra a ascensão meteórica da banda em meio ao crescimento do rock nacional.
Rodolfo relembra que o grupo viveu uma rotina intensa de shows, festas e excessos enquanto alcançava enorme popularidade. O cantor afirma que, naquele período, acreditava estar vivendo liberdade plena, mas hoje interpreta aquele momento de forma diferente.
“Quando você faz muito sexo e usa drogas, parece que está preenchendo algo. Mas depois sobra um vazio muito grande”, declarou. Ele também falou sobre o impacto psicológico da fama e da constante exposição pública.
Segundo Rodolfo, a necessidade de manter determinada imagem diante do público alimentava comportamentos destrutivos e dificultava qualquer reflexão mais profunda sobre a própria vida.
Ao comentar o cenário musical atual, Rodolfo também criticou o que considera um ambiente excessivamente orientado por mercado, aparência e performance. O músico afirmou que parte da indústria do entretenimento estimula superficialidade e consumo rápido de conteúdo. “Hoje muita gente vive para parecer feliz”, disse.
Mesmo inserido atualmente no universo gospel, Rodolfo afirmou que continua atento aos riscos ligados à idolatria e à vaidade dentro do meio religioso e artístico. Segundo ele, o processo de transformação espiritual não eliminou conflitos internos, mas mudou sua forma de lidar com eles.
“Eu continuo sendo humano. A diferença é que hoje sei quem eu sou”, afirmou. Após deixar o Raimundos no início dos anos 2000, Rodolfo construiu uma carreira voltada à música cristã e ao público evangélico. Desde então, lançou álbuns, participou de eventos religiosos e passou a compartilhar publicamente reflexões sobre fé, dependência emocional e espiritualidade.
Apesar da mudança radical de trajetória, ele afirma que não tenta apagar o passado. “A minha liberdade não é esquecer quem eu fui. É entender o que aconteceu comigo”, declarou. Segundo o cantor, revisitar os anos mais difíceis de sua vida na série documental foi um exercício emocional delicado, mas necessário. “Eu precisei olhar para trás sem romantizar aquilo”, afirmou.
Rodolfo reforçou diversas vezes que a fama, os excessos e a busca desenfreada por prazer não resolveram os conflitos que carregava internamente. “Aquilo que parecia liberdade estava me destruindo”, resumiu. Hoje, o músico afirma enxergar a arte como instrumento de transformação e acolhimento, diferente do período em que utilizava a música apenas como válvula de escape emocional. “Minha música hoje fala sobre liberdade de verdade”, declarou.