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Economia

RN mantém maior renda per capita do Nordeste, mas desigualdade avança

Rendimento domiciliar mensal chega a R$ 1.779 em 2025 e cresce acima da média nacional; dependência de aposentadorias e programas sociais segue elevada
Elias Luz
09/05/2026 | 05:18

O Rio Grande do Norte registrou, em 2025, a maior renda domiciliar per capita do Nordeste pelo terceiro ano consecutivo, segundo dados divulgados nesta sexta-feira 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento mensal real domiciliar per capita do Estado atingiu R$ 1.779, alta de 9,41% em relação a 2024, quando o indicador havia sido de R$ 1.626.

Apesar do avanço, o rendimento potiguar ainda permanece abaixo da média nacional, estimada em R$ 2.264. O crescimento da renda no RN, no entanto, superou o registrado no País, que ficou em 6,89% no período. Desde 2012, início da série histórica da PNAD Contínua sobre Rendimento de Todas as Fontes, a renda per capita potiguar acumula expansão de 58,56%, considerando valores corrigidos pela inflação.

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RN teve o terceiro menor percentual de participação do trabalho na composição da renda per capita entre os Estados - Foto: José Aldenir

Os dados mostram ainda que a massa de rendimento mensal domiciliar per capita — soma de todos os rendimentos recebidos pela população — alcançou R$ 6,145 bilhões, o maior patamar da série histórica no Estado.

A pesquisa do IBGE considera como rendimento domiciliar per capita os valores obtidos pelos moradores de um domicílio por meio de salários, aposentadorias, pensões, programas sociais e outras fontes, divididos pelo número de residentes.

Segundo o levantamento, 66,4% da renda domiciliar per capita no Rio Grande do Norte têm origem no rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos. Os 33,6% restantes vêm de outras fontes de renda, principalmente aposentadorias e pensões, que representam 24% do total, além de programas sociais governamentais, responsáveis por 6,3%.

O RN teve o terceiro menor percentual de participação do trabalho na composição da renda per capita entre os Estados brasileiros, atrás apenas do Piauí e de Alagoas. Em relação a 2024, a participação do rendimento do trabalho recuou 1,5 ponto percentual, enquanto aposentadorias e pensões avançaram 2,4 pontos percentuais.

Os números também revelam aumento da desigualdade de renda no Estado. Em 2025, os 10% mais ricos da população potiguar receberam, em média, o equivalente a 16,3 vezes o rendimento dos 40% mais pobres. O RN passou a ocupar a terceira posição nacional nesse indicador, atrás apenas do Distrito Federal e do Rio de Janeiro.

O levantamento mostra que os 40% da população com menores rendimentos tiveram renda média mensal de R$ 754, enquanto os 10% mais ricos receberam, em média, R$ 7.897 por pessoa. Já o 1% mais rico do Estado registrou rendimento domiciliar per capita médio de R$ 20.047.

Como reflexo desse cenário, o índice de Gini — indicador utilizado para medir desigualdade social — atingiu 0,540 no Rio Grande do Norte, também o terceiro maior do País. Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda.

Os dados da PNAD Contínua mostram ainda que 34% dos domicílios potiguares receberam Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) ou outros programas sociais em 2025. Embora elevado, o percentual foi o menor do Nordeste, posição mantida pelo Estado desde 2021.

Entre os beneficiários de programas sociais, a renda per capita média foi de R$ 637 mensais no caso do Bolsa Família e de R$ 1.048 entre os beneficiários do BPC-LOAS. Nos domicílios sem recebimento de programas sociais, a renda média per capita atingiu R$ 2.458.

O levantamento também evidencia a diferença salarial associada ao nível de escolaridade. Trabalhadores ocupados com ensino superior completo tiveram rendimento médio mensal real de R$ 6.613 em 2025 — valor mais de երեք vezes superior ao recebido por trabalhadores com ensino médio completo ou equivalente, cuja média foi de R$ 2.127.

Na base da pirâmide educacional, o rendimento dos trabalhadores sem instrução caiu 15,63% em relação ao ano anterior, passando de R$ 1.113 em 2024 para R$ 939 em 2025.

A pesquisa aponta ainda que o rendimento médio real de todas as fontes da população com rendimento no Estado cresceu 8,11% frente a 2024, alcançando R$ 2.731 — o maior valor já registrado pela série histórica. O rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos também bateu recorde, chegando a R$ 3.003 e superando pela primeira vez a marca de R$ 3 mil no Rio Grande do Norte.