O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PT, Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, defendeu a política fiscal da gestão Fátima Bezerra e afirmou que o Estado vive uma trajetória de recuperação das contas públicas, apesar das dificuldades ainda existentes. Em entrevista à TV Tropical, ele rejeitou a ideia de colapso fiscal, disse que o governo trouxe o RN de volta ao caminho do equilíbrio e destacou como principal marca da gestão o pagamento dos salários dos servidores em dia.
Ex-secretário estadual da Fazenda e auditor fiscal, Cadu afirmou que o Governo Fátima recebeu o Estado, em 2019, com alto comprometimento da receita com despesas de pessoal. Segundo ele, o índice era de 64% no início da administração petista e caiu para 53% em 2022. Depois, voltou a subir em razão das mudanças nacionais que reduziram a arrecadação do ICMS sobre combustíveis e telecomunicações, apontadas por ele como duas das principais fontes de receita estadual.

“Hoje a boa notícia é que a gente já tem uma trajetória de queda, a gente retoma uma trajetória de queda e temos 56% de comprometimento de gastos com o pessoal”, afirmou. O índice citado por Cadu segue acima do limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Tesouro Nacional informou que o Rio Grande do Norte ultrapassou em 2025 o limite legal de despesa com pessoal, com comprometimento acima de 55% da Receita Corrente Líquida ajustada, diante de um teto de 49% para o Poder Executivo. A leitura de Cadu, porém, é que o dado precisa ser observado dentro da comparação histórica com o quadro herdado em 2019, quando, segundo ele, a situação era ainda mais grave.
Na entrevista, Cadu também saiu em defesa da relação do governo com os servidores públicos. Ele disse que esse talvez seja um dos pontos dos quais a gestão mais se orgulha. Segundo o pré-candidato, o funcionalismo estadual vive hoje “outra era”, marcada pelo pagamento regular dos salários e pela valorização das categorias.
“O servidor público do Rio Grande do Norte hoje recebe o seu salário em dia e teve o seu salário valorizado durante esse período do governo da professora Fátima”, declarou. Cadu afirmou ainda que, nas grandes áreas do serviço público — educação, saúde e segurança —, os profissionais tiveram ganho real ao longo da gestão, com reajustes acima da inflação. Ele comparou a situação atual com períodos anteriores, quando servidores enfrentaram atrasos salariais no Estado.
“Se a gente olhar para as grandes áreas, educação, saúde e segurança, todos os profissionais tiveram ganho real, ou seja, aumentos, valorizações, acima da inflação nesse período. Então, o servidor público do Rio Grande do Norte vive hoje outra era de quando eu, que sou servidor, tinha os salários atrasados em governos anteriores”, disse.
Apesar da defesa do governo, Cadu reconheceu que ainda há pendências. Ao ser questionado sobre atrasos nos repasses dos empréstimos consignados, afirmou que esse é hoje o principal problema fiscal da administração. Ele disse não estar mais no governo, mas reconheceu que o tema segue como responsabilidade da gestão estadual e afirmou que há compromisso de resolver a situação até o fim do ano.
“Hoje, o problema que o governo tem, eu não estou mais no governo, mas ainda é um problema do governo, são esses repasses dos empréstimos consignados, que o governo já se comprometeu a resolver isso até o final do ano”, afirmou.
A dívida dos consignados foi admitida pelo próprio governo em reunião na Assembleia Legislativa. À época, ainda como secretário da Fazenda, Cadu informou à Comissão de Finanças e Fiscalização que o valor pendente com instituições financeiras somava R$ 363,3 milhões, referentes ao período de maio de 2023 a março de 2026. Ele atribuiu o problema à frustração de receitas em 2025, calculada em R$ 474,5 milhões, e disse que a prioridade do governo havia sido pagar salários e obrigações constitucionais.
Cadu também foi questionado sobre os repasses para a saúde e para os municípios. Ele afirmou que, nos sete anos do Governo Fátima, o Estado cumpriu o percentual constitucional de 12% de aplicação em saúde. Para o pré-candidato, o desafio de uma próxima gestão é ampliar esse percentual para fortalecer a rede pública.
Na avaliação dele, o ideal é elevar os investimentos em saúde para 15% ou 16%, ampliando a capacidade de assistência e prevenção em todo o Estado. Cadu também disse que os repasses aos municípios estão sendo regularizados e afirmou que não há acúmulo de transferências municipais.
Ao tratar das áreas prioritárias para um eventual governo, Cadu citou a regionalização da saúde, o fortalecimento dos hospitais regionais, o enfrentamento às facções criminosas, o investimento em tecnologia na segurança pública e a ampliação dos avanços na educação.
Ele afirmou que a gestão Fátima reformou mais de 100 escolas, implantou 10 Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (Ierns) e triplicou o número de alunos no ensino integral. Para Cadu, o próximo passo é ampliar esse modelo e fortalecer a parceria com os municípios na educação infantil e básica.
Na área econômica, o pré-candidato disse que sua principal plataforma é o desenvolvimento do Estado. Ele defendeu a política tributária adotada pelo governo, afirmou que o RN deixou de perder empresas para outros estados do Nordeste e citou como metas a ampliação do Proedi, novos investimentos em infraestrutura e a melhoria das condições para geração de emprego e renda.
Cadu também destacou obras rodoviárias e afirmou que o governo está renovando mais de 60% das estradas estaduais. Citou ainda a duplicação da BR-304 como resultado de uma parceria entre a governadora Fátima Bezerra e o presidente Lula.