BUSCAR
BUSCAR
Política

Alcolumbre busca Lula após crise

Presidente do Senado tenta reconstruir relação com o Palácio do Planalto depois do impasse envolvendo indicação de Jorge Messias ao STF e articulação política no Congresso
Por O Correio de Hoje
08/05/2026 | 15:20

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), iniciou movimentos para reconstruir sua relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o desgaste provocado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores de Brasília, interlocutores afirmam que o senador deseja reabrir canais diretos com o Palácio do Planalto para evitar aprofundamento da crise e preservar espaço nas negociações envolvendo projetos prioritários do governo.

A derrota de Messias representou um dos episódios políticos mais delicados enfrentados pelo governo no Congresso nos últimos meses. O advogado-geral da União era tratado como nome de confiança do presidente Lula para ocupar vaga no Supremo, mas acabou rejeitado em articulação que expôs fragilidades da base governista no Senado.

alcolumbre Copia
Davi Alcolumbre articula reaproximação com o Planalto após impasse Foto: Carlos Moura / agêmcia senado

Aliados do governo apontam Alcolumbre como um dos principais responsáveis pela resistência à indicação. Apesar disso, pessoas próximas ao senador afirmam que ele busca “passar a régua” no episódio e impedir que o desgaste inviabilize futuras negociações entre Senado e Executivo.

Segundo interlocutores, Alcolumbre tem sinalizado ao governo que não pretende criar obstáculos permanentes à pauta do Palácio do Planalto. A avaliação do senador é que o confronto aberto com o Executivo poderia gerar custos políticos elevados em um momento de reorganização das alianças para 2026.

Nos últimos dias, emissários ligados ao governo e ao Senado passaram a atuar para diminuir a tensão. Na quarta-feira 6, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, esteve com interlocutores ligados à presidência do Senado em tentativa de reconstruir pontes políticas.

Além disso, Alcolumbre também intensificou conversas com aliados do governo dentro do Congresso, incluindo o líder governista Randolfe Rodrigues (PT-AP). A intenção seria reduzir o desgaste institucional e criar ambiente mais favorável para votações importantes previstas para os próximos meses.

O Palácio do Planalto acompanha o movimento com cautela. Integrantes do governo reconhecem que Lula depende da boa relação com Alcolumbre para avançar em pautas estratégicas no Senado, especialmente em propostas constitucionais e projetos econômicos considerados prioritários.

Entre os temas que exigem articulação intensa estão as PECs relacionadas ao Sistema Único de Assistência Social (Suas), segurança pública e exploração de minerais críticos, além de propostas voltadas à reorganização administrativa e fiscal.

Também está no radar do governo a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta ganhou forte repercussão popular e passou a integrar o discurso político de setores aliados ao presidente Lula.

Aliados de Alcolumbre afirmam que o senador deseja manter protagonismo institucional no Senado e preservar sua capacidade de influência sobre votações estratégicas. O parlamentar segue sendo visto como figura central na articulação política da Casa.

Apesar da tentativa de reaproximação, o clima entre Alcolumbre e setores do governo ainda é descrito como desgastado. Integrantes do PT avaliam que a rejeição de Jorge Messias expôs fragilidades da articulação política do Planalto e fortaleceu grupos independentes dentro do Senado.

Nos bastidores, parte do governo também atribui a derrota à atuação de parlamentares ligados ao Centrão e à oposição, que teriam aproveitado insatisfações internas para enfraquecer o Palácio do Planalto.

O episódio envolvendo Messias acabou se tornando símbolo de uma disputa mais ampla sobre espaço político, influência institucional e composição de forças dentro do Congresso Nacional.

Além do impacto imediato na relação entre Senado e Executivo, a crise também passou a ser observada sob perspectiva eleitoral. Lideranças políticas já enxergam os movimentos atuais como parte da reorganização de alianças para a disputa presidencial de 2026.

Outro elemento que aumentou a tensão política foi a aproximação do nome de Alcolumbre com investigações relacionadas ao Banco Master. O caso ganhou repercussão após mensagens apreendidas pela Polícia Federal mencionarem diálogos envolvendo figuras próximas ao senador.

Documentos da investigação apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria mantido relação próxima com integrantes do meio político em Brasília. Conversas encontradas em aparelhos apreendidos mencionam encontros e interlocuções ligadas ao ambiente político nacional.

A repercussão do caso provocou preocupação entre aliados de Alcolumbre, especialmente diante do potencial desgaste institucional em um momento delicado da relação com o governo.

Outro fator que aumentou a pressão política foi a situação da Amprev, gestora previdenciária do Amapá. A instituição realizou investimentos milionários em títulos ligados ao Banco Master e passou a ser citada em apurações recentes.

Embora aliados do senador neguem qualquer irregularidade ou envolvimento indevido, integrantes do governo avaliam que o cenário tornou ainda mais sensível o processo de reconstrução política entre Alcolumbre e o Planalto.

Apesar disso, o entendimento predominante em Brasília é que tanto Lula quanto Alcolumbre têm interesse em evitar uma ruptura definitiva. O governo precisa de estabilidade para avançar em pautas legislativas, enquanto o presidente do Senado busca preservar influência institucional e espaço político nacional.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que as próximas semanas serão decisivas para medir o nível de reconstrução dessa relação e definir o grau de alinhamento entre Senado e Palácio do Planalto no restante do ano legislativo.