O empresário norte-americano Ted Turner, fundador da CNN e um dos nomes mais influentes da indústria de mídia dos Estados Unidos, morreu nesta quarta-feira 6, aos 87 anos. A informação foi confirmada pela própria emissora. A causa da morte não foi divulgada. Em 2018, Turner havia tornado público o diagnóstico de demência com corpos de Lewy, doença neurodegenerativa progressiva.
Turner entrou para a história ao fundar, em 1980, a Cable News Network (CNN), primeira rede dedicada exclusivamente à transmissão de notícias 24 horas por dia. A criação do canal alterou o modelo de cobertura jornalística televisiva ao introduzir fluxo contínuo de informação em tempo real, influenciando a dinâmica da imprensa global em guerras, crises políticas, desastres naturais e grandes eventos internacionais. “A menos que haja problemas com o satélite, não vamos sair do ar até o fim do mundo”, afirmou Turner em entrevista à própria CNN em 2013.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico frequente da emissora fundada por Turner, lamentou a morte do empresário. Ao longo da carreira, Turner construiu reputação marcada por ousadia empresarial e perfil provocador. “Se eu tivesse um pouco de humildade, seria perfeito”, afirmou em uma de suas entrevistas mais conhecidas.
Registrado como Robert Edward Turner III, o empresário nasceu em 1938, na cidade de Cincinnati. Após se mudar para o sul dos Estados Unidos, estudou em escolas militares, onde se destacou em debates e competições de vela. Na juventude, contrariou o pai ao optar pelo curso de literatura clássica na Brown University, mas acabou deixando a universidade antes da conclusão do curso. Aos 24 anos, assumiu os negócios da família após o suicídio do pai, inicialmente no ramo de outdoors.
Em 1970, Turner deu início à expansão no setor de comunicação ao comprar uma emissora UHF em dificuldades em Atlanta por US$ 2,5 milhões. A operação, considerada arriscada por consultores, acabou se tornando um marco na televisão americana. Utilizando programação de baixo custo e transmissão contínua, Turner transformou a emissora WTBS na primeira “superestação” dos Estados Unidos, distribuída nacionalmente por sistemas de TV a cabo via satélite.
A criação da CNN consolidou o empresário como pioneiro do setor. À época, Turner afirmava que pretendia combater o que classificava como cobertura “sensacionalista” das grandes redes americanas. Mesmo diante de descrença do mercado e baixos salários pagos inicialmente aos profissionais contratados, a emissora prosperou e estabeleceu um novo padrão para o jornalismo televisivo mundial. Em 1991, Turner foi escolhido Homem do Ano pela revista Time, que o descreveu como responsável por “transformar telespectadores em 150 países em testemunhas instantâneas da história”.
Ao longo das décadas seguintes, Turner ampliou seu conglomerado de mídia com canais especializados em esportes, filmes clássicos e entretenimento. Também adquiriu os estúdios MGM e liderou, em 1996, a fusão da Turner Broadcasting System com a Time Warner em um acordo avaliado em US$ 7,5 bilhões. O grupo passou a reunir marcas como HBO, Warner Bros., Cartoon Network, CNN e Turner Classic Movies.
Em 2001, Turner apoiou a fusão entre a Time Warner e a AOL, operação estimada em US$ 99 bilhões e considerada uma das maiores da história do setor de tecnologia e comunicação. A reorganização posterior, no entanto, reduziu sua influência dentro da companhia e provocou perdas bilionárias relacionadas à desvalorização das ações. Em 2003, ele deixou o cargo de vice-presidente do grupo.
Paralelamente à atuação empresarial, Turner construiu trajetória de destaque na filantropia e no ativismo ambiental. Tornou-se um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos e doou US$ 1 bilhão para a Organização das Nações Unidas, uma das maiores contribuições individuais já feitas à entidade. Também cofundou, em 2001, a Nuclear Threat Initiative, organização voltada à redução de ameaças nucleares globais.
No esporte, Turner teve forte presença como proprietário do Atlanta Braves e do Atlanta Hawks. Também venceu a America’s Cup e criou, em 1986, os Jogos da Boa Vontade, evento esportivo concebido em meio às tensões da Guerra Fria. Casado durante parte da vida com a atriz Jane Fonda, Turner acumulava fortuna estimada em US$ 2,8 bilhões, segundo a revista Forbes.