Os ataques realizados pelo Irã contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio destruíram ou danificaram mais de 220 estruturas e equipamentos desde o início da guerra entre os dois países, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira 6, pelo jornal The Washington Post. A análise, baseada em imagens de satélite e registros da mídia estatal iraniana, indica um impacto significativamente maior sobre a infraestrutura militar norte-americana na região do que o reportado anteriormente.
De acordo com o jornal, foram identificadas 217 estruturas e 11 equipamentos destruídos ou atingidos em 15 bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio. O levantamento utilizou imagens de empresas especializadas em monitoramento por satélite e verificações de vídeos e fotografias divulgadas por veículos iranianos ligados ao governo de Irã.

Os bombardeios contra bases dos Estados Unidos tornaram-se um dos principais instrumentos de retaliação iraniana durante o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã. Como consequência, países que abrigam instalações militares americanas passaram a ser diretamente atingidos pelos ataques iranianos, entre eles Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Jordânia.
Os ataques ampliaram a tensão regional e levaram parte desses países a discutir eventual participação direta nos combates. O conflito entrou em cessar-fogo há cerca de um mês, mas os impactos sobre a segurança regional continuam sendo monitorados por governos e organismos internacionais.
“O ataques iranianos foram precisos. Não há crateras aleatórias indicando erros”, afirmou Mark Cancian, conselheiro sênior do Center for Strategic and International Studies e veterano do Exército norte-americano, que analisou as imagens obtidas pelo jornal. Segundo ele, os registros indicam elevado grau de precisão nos ataques conduzidos por Teerã.
O The Washington Post também informou anteriormente que a Rússia teria fornecido inteligência militar ao Irã para auxiliar na seleção de alvos americanos durante a guerra. Segundo autoridades ouvidas pela publicação, o aumento da ameaça aérea obrigou comandantes militares dos EUA a reduzirem efetivos em algumas bases consideradas vulneráveis, transferindo parte do pessoal para áreas fora do alcance dos bombardeios iranianos.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, sete militares americanos morreram em ataques iranianos — seis no Kuwait e um na Arábia Saudita —, segundo dados do Exército dos Estados Unidos citados pelo jornal. Mais de 400 soldados ficaram feridos até o fim de abril, incluindo ao menos 12 com lesões classificadas como graves.