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Inadimplência

Endividamento atinge metade dos brasileiros

Levantamento indica aumento da dependência do crédito e pressão sobre a renda das famílias
Por O Correio de Hoje
06/05/2026 | 13:47

O número de brasileiros inadimplentes voltou a crescer em março e atingiu 82,2 milhões de pessoas, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira 5, pela Serasa. O contingente representa 50,5% da população adulta do País e mostra avanço de 1,35% em relação ao mês anterior, reforçando o cenário de pressão sobre a renda das famílias e maior dependência do crédito para despesas básicas.

Os dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas indicam que quase metade dos débitos negativados está concentrada no setor financeiro, responsável por 47% das pendências registradas. Dentro desse grupo, o cartão de crédito aparece como principal origem das dívidas bancárias, citado por 73% dos entrevistados. Em seguida aparecem os empréstimos pessoais, com 56%, e o uso do limite da conta corrente e cheque especial, mencionado por 33%.

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Número de inadimplentes sobiu para 82,2 milhões agora em março Foto: Reprodução / Internet

O levantamento também aponta que parte relevante dos consumidores acumula débitos elevados e de longa duração. Entre os endividados no cartão de crédito, 37% possuem dívidas superiores a R$ 10 mil, enquanto 36% convivem com a inadimplência há mais de dois anos. Para a diretora da Serasa, Aline Maciel, o uso recorrente do crédito rotativo contribui para ampliar o ciclo de endividamento. “Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, especialmente em valores elevados, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar por que uma parcela relevante da população permanece com dívidas por tanto tempo”, afirmou.

Segundo a pesquisa, 38% dos brasileiros atribuem o endividamento bancário ao desemprego ou à perda de renda. O estudo também identificou que os principais motivos para contratação de crédito estão ligados ao pagamento de contas básicas e à tentativa de quitar outras dívidas, indicando deterioração da capacidade de consumo das famílias. “A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia”, disse Aline. “Quando despesas essenciais, como alimentação e saúde, passam a ser financiadas no crédito, o risco de efeito bola de neve aumenta significativamente”.