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Fuga

Polícia segue à procura de fugitivos

Presos de Alcaçuz usaram “teresa” para ultrapassar muro de mais de 5 metros; fuga só foi percebida durante contagem
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 17:21

Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária mostram a movimentação dos cinco detentos que escaparam na madrugada do sábado 2 da Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal. Os fugitivos foram identificados como Carlos Soares Alves da Silva, Jefferson Cleyton Lima da Silva, Maycon Dias Mora, Pedro Gabriel da Silva e Rodrigo da Silva Nascimento. Até a manhã desta segunda-feira 4, nenhum deles havia sido recapturado, de acordo com a Seap.

A fuga aconteceu entre 0h e 1h, mas só foi percebida horas depois, já pela manhã, durante a contagem dos apenados nas celas. As imagens registradas pelas câmeras de monitoramento mostram os cinco presos já fora do pavilhão 1 da unidade. No momento da ação, chovia forte na região.

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Rodrigo, Pedro, Maycon, Jefferson e Carlos escaparam de Alcaçuz no dia 2 Foto: Divulgação

Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de ventilação para deixar a cela, cruzaram um muro interno e, em seguida, utilizaram uma corda improvisada com lençóis — conhecida como “teresa” — para ultrapassar o muro principal da penitenciária, que tem mais de 5 metros de altura. Uma semana antes, dois presos já haviam tentado fugir pelo sistema de ventilação no presídio Rogério Coutinho Madruga, localizado ao lado de Alcaçuz, mas foram impedidos por policiais penais de plantão e pela Central de Rádio e Videomonitoramento.

O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga foi uma “surpresa” para o sistema prisional. Segundo a Seap, a unidade não registrava fugas havia quase cinco anos, enquanto o presídio Rogério Madruga Coutinho, vizinho, teve uma ocorrência em 2024. “Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente”, disse.

Dois memorandos enviados pela direção da Penitenciária de Alcaçuz, datados de 20 de março e 2 de abril, solicitaram à Seap manutenção nas câmeras de monitoramento dos pavilhões 1 — onde ocorreu a fuga — e 4. Ainda segundo Helton Edi Xavier, não há áreas sem cobertura de vigilância na unidade. “Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento”, completou.

A presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, avalia que a desativação das 10 guaritas da penitenciária também pode ter contribuído para que a fuga não fosse percebida no momento em que ocorreu. “Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualização. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas”, disse.

A Penitenciária de Alcaçuz já foi palco do Massacre de Alcaçuz, em 2017, quando 26 presos morreram — a maioria decapitada — e outros 56 conseguiram fugir. Inaugurada em 1998, a unidade foi construída com o objetivo de reduzir os problemas da Penitenciária Central Doutor João Chaves, na Zona Norte de Natal. A última fuga registrada em Alcaçuz ocorreu em 17 de julho de 2021.