O chefe de gabinete do presidente Javier Milei, Manuel Adorni, prestou esclarecimentos ao Congresso argentino nesta quarta-feira 29, pela primeira vez desde o início de um escândalo envolvendo viagens de luxo e aquisição de imóveis. A sessão, prevista pela Constituição como prestação periódica de contas, ganhou caráter de interrogatório diante das suspeitas de enriquecimento ilícito.
A presença de Adorni ocorre após meses de ausência no Legislativo desde sua nomeação, em novembro do ano passado. O caso ganhou repercussão após revelações de viagens internacionais, incluindo deslocamentos com familiares e uso de jatos privados, além da compra de imóveis e gastos considerados incompatíveis com sua renda declarada. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o ministro recebe cerca de US$ 2.500 mensais.

Durante o discurso, o chefe de gabinete negou irregularidades e afirmou que provará sua inocência na Justiça. Também sustentou que viagens pessoais foram custeadas com recursos próprios e pediu desculpas públicas em relação à presença de familiares em agendas oficiais, destacando compromisso com transparência.
O episódio ocorre em um momento de pressão política para o governo ultraliberal. Levantamentos recentes indicam elevada rejeição ao ministro, com mais de dois terços da população avaliando sua atuação de forma negativa, além de queda acentuada na aprovação desde o surgimento do caso. Ainda assim, o presidente Milei mantém o aliado no cargo, mesmo após afastar outros integrantes do governo em situações semelhantes.
No Congresso, parlamentares da oposição questionaram a evolução patrimonial do ministro e classificaram as explicações como insuficientes. O ambiente da sessão foi marcado por protestos e embates verbais, refletindo o desgaste político em torno do caso.
A crise ocorre em paralelo a desafios econômicos enfrentados pelo governo argentino, incluindo inflação persistente — ainda que em desaceleração — e retração em setores como construção civil e indústria. O cenário tem impactado a popularidade de Milei, que, apesar de avanços em sua agenda de reformas, enfrenta crescente pressão política e social.