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Clonagem

Brasil clona primeiro porco para transplantes

Clonagem inédita de porco no Brasil impulsiona pesquisas para transplante de órgãos entre espécies
Por O Correio de Hoje
24/04/2026 | 16:17

Pesquisadores ligados ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), da Universidade de São Paulo (USP), anunciaram um avanço considerado histórico após quase seis anos de trabalho: a obtenção do primeiro porco clonado do Brasil e da América Latina.


O animal nasceu em laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba (SP), e é visto como um passo relevante dentro de uma iniciativa que busca desenvolver suínos geneticamente modificados capazes de fornecer órgãos para transplantes em humanos, reduzindo o risco de rejeição imunológica.

Porco clonado
Experimento liderado pela Universidade de São Paulo marca avanço no xenotransplante ao gerar animal geneticamente modificado com potencial para doação de órgãos humanos Foto: Reprodução


Em entrevista à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o pesquisador Ernesto Goulart, do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenador do projeto, destacou a complexidade da técnica. Segundo ele, a clonagem de suínos é um dos principais obstáculos para tornar viável o chamado xenotransplante — procedimento que envolve a transferência de órgãos entre espécies diferentes.


Os porcos são apontados há anos como candidatos promissores para doação de órgãos devido à semelhança anatômica e funcional com os humanos. No entanto, sem intervenção genética, os tecidos seriam rejeitados imediatamente pelo organismo humano, o que exige alterações no genoma dos animais.


No experimento brasileiro, os cientistas desativaram três genes responsáveis por desencadear rejeição e introduziram sete genes humanos nas células suínas, com o objetivo de aumentar a compatibilidade biológica

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Os embriões modificados foram implantados em fêmeas híbridas das raças Landrace e Large White. Após uma gestação de cerca de quatro meses, nasceu o primeiro clone saudável, pesando 1,7 quilo.


“O fato de o animal estar supersaudável mostra que nossa técnica funciona. Já temos outras gestações em andamento, o que reforça que dominamos o processo”, comemora Goulart.


De acordo com o pesquisador, diferentes órgãos e tecidos desses animais poderão ser utilizados futuramente em transplantes. Neste primeiro momento, o foco recai sobre rim, córnea, coração e pele, que juntos correspondem a cerca de 94% da demanda atendida pelo Sistema Único de Saúde.


A pesquisa brasileira acompanha iniciativas internacionais. Estudos clínicos já estão em andamento em países como Estados Unidos e China, além de projetos experimentais no próprio Brasil, com resultados ainda em fase inicial.


“Os dois primeiros casos foram de transplantes cardíacos e os pacientes sobreviveram por volta de 60 dias”, explica Goulart.