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Política

Rafael Motta diz que Samanda é “absurdamente competente”

Pré-candidato do PDT, Rafael Motta fala sobre possível dobradinha com nome do PT, nega “guerra fria” com Jean Paul, aposta em Fátima Bezerra com “sangue nos olhos” e questiona favoritismo de Styvenson Valentim
Por O Correio de Hoje
17/04/2026 | 17:33

O ex-deputado federal Rafael Motta, pré-candidato ao Senado pelo PDT, afirmou em entrevista à rádio Universitária que a vereadora de Natal Samanda Alves (PT), também pré-candidata ao Senado, é “uma candidata absurdamente competente” e será, em sua avaliação, “uma grande senadora para o Rio Grande do Norte”. O PT e o PDT articulam para que os dois possam fazer uma dobradinha na disputa para o Senado em 2026.

Ainda na avaliação de Rafael, Samanda é “a vereadora mais atuante da Câmara Municipal de Natal”. Ele situou essa dobradinha no que chamou de “time de Lula”, bloco que também inclui o pré-candidato ao Governo do Estado Cadu Xavier (PT).

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Ex-deputado Rafael Motta, pré-candidato ao Senado, e vereadora Samanda Alves, que também tenta o Senado - Fotos: Reprodução/Instagram e Elpídio Júnior/CMN

Rafael Motta afirmou que o projeto inicial era disputar novamente a Câmara dos Deputados, cargo que exerceu por dois mandatos, após ter sido eleito em 2014 e reeleito em 2018. Disse, porém, que o cenário mudou após a governadora Fátima Bezerra (PT) desistir de concorrer ao Senado, por causa do rompimento com o vice-governador Walter Alves (MDB). Foi a partir desse fato que surgiu espaço para sua entrada na corrida ao Senado, cuja disputa, em sua avaliação, está “completamente aberta”.

Em outro momento central da entrevista, Rafael fez uma autocrítica explícita sobre sua trajetória recente e disse ter voltado ao campo político ao qual sempre pertenceu. “Talvez eu tenha saído ali em alguns momentos”, declarou, ao reconhecer que se afastou parcialmente do espectro da centro-esquerda. Em seguida, resumiu a correção de rumo em frase direta: “Eu voltei para o ninho que eu sempre pertenci”.

Ao ser provocado sobre a natureza dessa revisão, endossou a ideia de mea-culpa. “Essa palavra é bem bacana. É você reconhecer os erros”, disse. E completou: “Não é sinal de fraqueza, não é sinal de ser menor, pior do que ninguém. Às vezes é para você realmente mostrar que tem mais maturidade”.

Essa reflexão pessoal apareceu vinculada ao grave acidente de kitesurf sofrido por ele em agosto de 2025. Ele tratou o episódio como um divisor de águas. Ele disse ter passado por uma situação em que “quase morreu” e afirmou que a sobrevivência só pode ser explicada como “milagre”. Ao detalhar as lesões, citou “mais de 130 pontos pelo corpo”, “5 placas no rosto”, “2 hastes nas costas”, “3 placas no peito”, “1 placa no punho”, além de “54 parafusos” e “uma rede segurando o meu olho”.

Eleições

No campo partidário, Rafael tratou da disputa interna do PDT com o ex-senador Jean Paul Prates, que também se colocou como opção ao Senado. Ele negou qualquer conflito interno e tentou apresentar a relação entre os dois como complementar. “Não existe guerra fria não”, disse. Também afirmou que “não está havendo essa disputa interna” e classificou o método de definição — a realização de uma pesquisa — como “uma forma muito democrática, muito objetiva, muito técnica”.

Segundo ele, Jean Paul traz conteúdo técnico e experiência de gestão, enquanto ele próprio oferece capilaridade política, trânsito com lideranças e presença no interior. “Ele é um cara muito técnico, tem um conteúdo absurdo”, afirmou sobre Jean. Sobre si, ressaltou o “tino político” e o fato de conhecer “todos os municípios potiguares”.

Na avaliação do ex-deputado, a soma dos dois percentuais nas pesquisas mostraria o potencial da chapa. “Se a gente somar os dois percentuais, tanto eu quanto o Jean, a gente vai para uma condição muito maior”, disse. E acrescentou que, nesse arranjo, o suplente não seria “figurativo”, mas teria função política real.

Rafael também se voltou contra a leitura de que uma das vagas ao Senado já estaria decidida em favor do senador Styvenson Valentim (Podemos). Sem negar que o adversário tenha força eleitoral, afirmou que a conjuntura atual é diferente daquela de oito anos atrás, quando Styvenson surgiu como novidade política.

“Não existe candidato que já está eleito”, declarou. Questionado diretamente se acredita que o senador pode perder, respondeu: “Eu acredito”. Rafael criticou o que chamou de constrangimento a lideranças políticas e formas de pressão sobre prefeitos e municípios. “A arrogância é o primeiro passo para a queda”, afirmou, sobre Styvenson.

Ao falar do cenário mais amplo da esquerda no Estado, Rafael procurou inflar as expectativas do grupo governista para 2026. Disse que a governadora Fátima Bezerra está pronta para reagir politicamente ao que ocorreu no processo sucessório. “Fátima está com sangue nos olhos”, declarou.

Em seguida, reforçou: “A gente não pode duvidar daquela mulher”. Questionado se acreditava que ela daria uma resposta eleitoral por ter sido, em sua visão, preterida de forma abrupta, respondeu de forma categórica: “Eu não acho não, eu tenho certeza”. Na projeção que fez, Fátima teria força para eleger “3 deputados federais com a possibilidade de um quarto”, além de “2 senadores” e “1 governador do Estado”. Para Rafael, o grupo está subestimado e ainda deve crescer quando a campanha ganhar ritmo.

Na entrevista, o pré-candidato também revisitou a eleição de 2022, quando disputou o Senado, e respondeu às críticas de que sua candidatura teria ajudado na vitória de Rogério Marinho (PL). Rafael reconheceu que foi “teimoso” ao insistir naquela corrida, mas negou que tenha saído pequeno do pleito. “A gente saiu pequeno da eleição? Não”, afirmou.

O ex-deputado federal lembrou que obteve 385 mil votos, o que correspondeu a quase 23% dos votos válidos. Também destacou que fez aquela disputa “sozinho”, sem apoio de governador, presidente da República ou senador e sem chapa estruturada. Ao mesmo tempo, rejeitou a matemática simples segundo a qual, sem sua candidatura, a esquerda teria derrotado Rogério. “A conta não é tão simples assim”, disse.

Segundo ele, parte importante de seus votos vinha de prefeitos, vereadores e lideranças locais que havia conquistado diretamente. Sobre a forma de atuação de Rogério naquele pleito, afirmou que o hoje senador “chegava de uma forma assim, tratorando todo mundo” e, perguntado sobre como conseguia atrair tantos prefeitos, respondeu com ironia: “Isso tem que perguntar para o homem do caixa forte”.

A relação com Fátima Bezerra apareceu não apenas no plano político, mas também no pessoal. Rafael disse que votou em Lula em 2022, continua votando no presidente e também apoiou Fátima. Apesar de não ter estado no palanque governista naquele momento, afirmou compreender a estratégia adotada pela governadora e demonstrou gratidão por ela desde sua chegada à Câmara Federal. “Eu tenho muita gratidão a ela”, disse.

Em seguida, narrou que, ao chegar a Brasília, foi acolhido politicamente pela então deputada federal Fátima, que o aproximou de pautas como a educação. “Fátima foi a pessoa que me recebeu em Brasília”, afirmou. Segundo Rafael, mesmo quando ela se aborreceu com sua decisão de disputar o Senado em 2022, a relação nunca foi rompida. Após o acidente, contou que os dois conversaram por vídeo, em contato que descreveu como afetuoso e verdadeiro. “Eu tenho muito carinho por ela mesmo, de verdade”, declarou.