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Política

Allyson Bezerra chama Álvaro Dias de “incompetente” e “irresponsável”

Críticas se intensificam na pré-campanha, com troca de acusações sobre gestão na saúde e desempenho fiscal entre os dois pré-candidatos
Por O Correio de Hoje
17/04/2026 | 17:22

O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) subiu o tom das críticas contra o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o classificou como “incompetente” e “irresponsável”. Os dois são pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista à Cena TV, de Macaíba, Allyson afirmou que o adversário “devia ter vergonha de dizer que é médico” após inaugurar um hospital que nunca chegou a funcionar — uma referência ao Hospital Municipal de Natal.

Na entrevista, Allyson registrou que Álvaro “inaugurou, cortou a fita de um hospital em dezembro de 2024”, mas que, até agora, “o hospital continua em obras” e “nunca foi concluído”. Ele acrescentou que a unidade “nunca atendeu um cidadão para fazer um exame de urina, um exame de sangue, uma cirurgia, uma consulta, nada”. Para o ex-prefeito de Mossoró, a atitude de Álvaro representa tentativa de enganar a população. “Ele apenas quis entregar uma obra inacabada para ver se ludibriava o cidadão, para ver se enganava o cidadão”, declarou.

Allyson Bezerra Prefeito de Mossoró RN (591)
Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) subiu tom das críticas contra o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), seu adversário - Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje

A fala de Allyson ocorre após Álvaro Dias criticar o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, inaugurado por Allyson em janeiro deste ano em Mossoró. Segundo Álvaro, a unidade não tem estrutura equivalente à do Hospital Municipal de Natal. Em entrevista à rádio 95 FM, Álvaro classificou o hospital mossoroense como “uma unidade de saúde adaptada para funcionar como hospital”.

“Esse hospital de Mossoró… vá lá saber qual é o funcionamento dele, quantos pacientes ele atende. Isso é uma unidade de saúde que foi adaptada para funcionar como hospital”, afirmou. Em seguida, reforçou a distinção com a obra de Natal. “Eu, se fosse gestor, não diria que estava ali inaugurando e entregando à população um hospital”, disse.

Allyson também ampliou o ataque ao campo da gestão fiscal, afirmando que Álvaro deixou Natal com avaliação negativa na Secretaria do Tesouro Nacional (STN). “Mostrou que é um péssimo gestor, é incompetente, é desajustado”, disse. Na mesma linha, reforçou que “o Rio Grande do Norte não pode correr o risco de ter um novo gestor incompetente do ponto de vista financeiro, desorganizado”.

Ao comparar sua experiência administrativa, Allyson apresentou dados de Mossoró como contraponto. Ele enfatizou que, ao assumir a prefeitura, encontrou salários atrasados, déficit previdenciário de R$ 233 milhões, consignados bloqueados e dívidas com INSS. “A Prefeitura de Mossoró devia 13º, tinha cinco meses de salários atrasados”, afirmou. De acordo com o pré-candidato, a situação foi revertida. “Dados da semana passada mostram R$ 226 milhões na conta. INSS em dia, consignados em dia, previdência em dia, salários em dia, terceirizados em dia”.

Durante a entrevista, Allyson também listou indicadores sobre a fragilidade fiscal do Rio Grande do Norte. Enfatizou que o Estado possui nota C no Índice de Capacidade de Pagamento (Capag) da STN e que o RN encerrou o ano de 2025 com saldo negativo no caixa, uma espécie de “cheque especial”, na ordem de R$ 3 bilhões. Citou ainda o déficit de R$ 2 bilhões na Previdência em 2025. Para ele, “do ponto de vista financeiro, fizeram um crime com o Rio Grande do Norte”.

No campo da saúde, o pré-candidato ao governo pelo União Brasil defendeu mudanças estruturais. Ele apontou a sobrecarga do Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, como símbolo do colapso. “O Walfredo Gurgel não está conseguindo suportar a demanda”, disse, defendendo a regionalização do atendimento para evitar deslocamentos de pacientes de cidades como Venha-Ver (Alto Oeste) e Caicó (Seridó) até a capital.

Ao longo da entrevista, Allyson também apresentou propostas e diretrizes de gestão. Defendeu que não pretende aumentar impostos. “Eu não defendo aumento de imposto”, afirmou, acrescentando que pretende aplicar no Estado o modelo adotado em Mossoró, baseado em “responsabilidade fiscal” e estímulo ao desenvolvimento econômico.

O pré-candidato destacou ainda a necessidade de industrialização do Estado e atração de investimentos privados. Citou projetos de parceria público-privada, como a nova Arena Nogueirão, orçada em R$ 215 milhões, que, segundo ele, está sendo construída “sem nenhum real da prefeitura”. Também mencionou a intenção de atrair data centers, indústrias e resorts, criticando o ambiente de negócios atual. “O Governo do Estado, infelizmente, é um governo que afasta a iniciativa privada”, afirmou.

Em tom de campanha, Allyson disse acreditar no potencial do Estado. “O Rio Grande do Norte tem jeito sim”, declarou, defendendo um modelo de gestão “dinâmico” e próximo da população. Ao encerrar, reforçou a narrativa de contraste com adversários. “Nós vamos fazer o maior e melhor governo que o Rio Grande do Norte já conheceu na sua história”, afirmou.