Diante de um cenário de incertezas entre os jovens, o Governo do Rio Grande do Norte afirmou que tem investido na integração entre diferentes áreas da administração.
De acordo com a subsecretária de Juventude do Governo do Estado, Zélia Pamplona, a estratégia busca ampliar o alcance das ações e responder a desafios que vão além da inserção no mercado de trabalho, incluindo questões sociais e de saúde mental.

Dados divulgados no último dia 25 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a urgência desse debate.
O levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 apontou que 15,3% dos estudantes potiguares entre 13 e 17 anos afirmaram que a vida não vale a pena ser vivida, índice que chega a 17,5% em Natal.
A subsecretária destaca ações como a criação do programa Jovem Potiguar, em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), que consiste na qualificação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social.
“Já tivemos dois módulos do Jovem Potiguar, com turmas espalhadas em 13 municípios do RN, com 1.500 vagas disponibilizadas em cursos de 3 e 4 meses, ministrados pelo IFRN. Os cursos são pensados de acordo com a demanda econômica de cada município, para facilitar a inserção desses jovens no mercado de trabalho local”, disse, em entrevista a O Correio de Hoje.
De acordo com Zélia, foi possível observar que os municípios fora da região metropolitana do estado foram mais impactados pelo programa. Ela ressalta que o diferencial do Jovem Potiguar é que, além das vagas, também são disponibilizadas bolsas de auxílio para os alunos.
“São valores pequenos para garantir transporte e alimentação nos dias de aula, e isso gerou um impacto na frequência desses jovens. Das 1.500 vagas, tivemos mais de 1.300 jovens certificados, com evasão mais baixa nos municípios do interior.”
Outra iniciativa foi a elaboração de uma Nota Técnica junto à Secretaria de Segurança do Estado sobre a abordagem policial nas periferias. Uma das demandas trazidas por meio do Conselho Estadual de Juventude é justamente a violência institucional contra jovens periféricos, de acordo com a subsecretária.
“Uma das coisas que tentamos fazer foi incidir nos protocolos internos do estado para que a juventude não fosse criminalizada por estar ocupando espaços aos quais o setor público, às vezes, não consegue chegar”, disse.
Segundo ela, o resultado da ação se refletiu nos dados, com uma queda significativa no número de mortes de jovens, principalmente entre negros.
No meio rural, o Plano Estadual de Sucessão Rural estabeleceu diretrizes até 2033 para garantir a permanência da juventude no campo, com foco na valorização cultural e no desenvolvimento sustentável. O documento foi construído com a participação direta de jovens em encontros territoriais e estaduais.
Outra iniciativa é a Casa da Juventude Potiguar, na região metropolitana, que ainda será entregue e funcionará como um espaço de acesso a direitos e inclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade. O local contará com uma equipe de 20 pessoas, atuando com oficinas, palestras e rodas de conversa, com foco em jovens em situação de rua ou com dependência química.
“A equipe vai desenvolver ações voltadas à saúde mental coletiva, à restauração de vínculos e à conexão desses jovens aos serviços necessários, por meio da articulação com outros setores da administração pública”, explicou.
Segundo Zélia, todas as políticas vêm sendo construídas em diálogo com o Conselho Estadual de Juventude e o Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Coned), reforçando a participação social na formulação das ações.
Saúde mental
Uma pesquisa mostrou que 1 em cada 10 estudantes do estado sentiu que a vida não vale a pena ser vivida.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e acendem um alerta para o avanço do sofrimento emocional entre adolescentes. O levantamento investiga aspectos relacionados à saúde mental, hábitos e ambiente escolar entre estudantes de todo o país.
Há uma diferença entre homens e mulheres: no estado, 20,5% das estudantes relataram esse sentimento, contra 10,3% dos estudantes. A diferença também aparece na comparação por rede de ensino: 16,0% dos alunos de escolas públicas relataram a sensação, ante 12,5% na rede privada.
Quando questionados sobre tristeza frequente, os percentuais aumentam. No estado, 25,9% dos estudantes disseram ter se sentido tristes na maior parte do tempo ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa. Entre as meninas, o índice chega a 37,9%, enquanto entre os meninos é de 14,1%. Em Natal, 28,9% dos estudantes relataram tristeza constante no mesmo período.
Além disso, a PeNSE também investigou os planos dos estudantes. No Rio Grande do Norte, 50% disseram que pretendem continuar estudando e trabalhar após concluir o ensino fundamental. Outros 5% afirmaram que pretendem apenas trabalhar, enquanto 30% indicaram intenção de seguir apenas nos estudos.
Em Natal, 50,8% dos estudantes declararam a intenção de estudar e trabalhar após o ensino fundamental. Ao considerar o período após o ensino médio, 60,6% dos estudantes potiguares afirmaram que pretendem conciliar trabalho e estudo. Outros 12,0% disseram que planejam apenas trabalhar, enquanto 11,0% indicaram expectativa de continuar exclusivamente estudando.