A nova presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Viana Silveira, assume o comando do órgão com a missão prioritária de reduzir a fila de pedidos e agilizar a concessão de benefícios. O desafio ocorre em meio à pressão do governo federal para melhorar a eficiência do sistema previdenciário e diminuir o tempo de espera dos segurados.
Em nota, o Ministério da Previdência Social disse que Silveira “assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto”.

O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, destacou a experiência técnica da nova presidente e sua capacidade de promover melhorias na gestão. “Uma servidora com visão sistêmica, que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal”, afirmou.
Servidora de carreira como analista do seguro social, Ana Cristina Viana Silveira atuava como secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social, sendo auxiliar direta do ministro. Ela também presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), responsável pela análise administrativa de pedidos de reconsideração relativos a benefícios.
A mudança ocorre em um cenário de forte pressão sobre o órgão. No início deste ano, a fila do INSS atingiu a marca inédita de 3,1 milhões de requerimentos, reacendendo preocupações do governo. A redução do estoque de pedidos havia sido uma promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha de 2022 e voltou ao centro das atenções em ano eleitoral.
Nos últimos meses, entretanto, houve avanço na análise dos processos. Dados divulgados pelo próprio INSS indicam que a fila caiu para 2,7 milhões em março, uma redução de 334 mil solicitações em apenas um mês.
A nova gestão substitui a de Gilberto Waller Júnior, demitido pelo governo federal. A troca foi anunciada pelo ministro Wolney Queiroz em nota divulgada na segunda-feira 13. Waller havia assumido o cargo no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, que investigou fraudes em descontos associativos aplicados a beneficiários.
Integrantes do governo manifestavam, há meses, insatisfação com o desempenho do então presidente do INSS, especialmente em relação à gestão da fila e à falta de diálogo com o ministério. Ainda assim, havia receio de substituí-lo durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para apurar as irregularidades. Com o encerramento da comissão, no fim de março, o Executivo avaliou que era o momento de promover a mudança e concentrar esforços na melhoria do atendimento.
Segundo relatos de bastidores, Waller foi comunicado da decisão na manhã do anúncio. A relação com o ministro era considerada conturbada. Nomeado diretamente pelo Palácio do Planalto durante o auge do escândalo dos descontos indevidos, ele não contou com anuência prévia do ministério.
Aliados de Wolney Queiroz negam que a substituição tenha ocorrido por influência política do PDT, partido ao qual o ministro é filiado e que historicamente participa de indicações na área da Previdência.
A gestão de Waller também foi marcada por episódios de tensão institucional. Em julho de 2025, o ministro editou uma portaria retirando do presidente do INSS a prerrogativa de nomear superintendentes regionais e gerentes-executivos. O ato foi interpretado dentro do instituto como interferência indevida, enquanto a pasta afirmou tratar-se de “ajustes comuns para a melhor condução da gestão”.
Outro episódio de desgaste ocorreu com a homologação de um acordo para ressarcimento de beneficiários lesados por descontos indevidos, realizada pelo INSS sem comunicação prévia ao ministério. A suspensão do pagamento de bônus a servidores no fim de 2025, por falta de recursos, também acirrou as divergências entre as duas instituições.
Nos bastidores, técnicos e críticos do ex-presidente apontavam que seu perfil, voltado à apuração de irregularidades e marcado por postura centralizadora, gerava desconforto entre aqueles que defendiam maior dedicação às ações voltadas à redução da fila. A falta de alinhamento entre o INSS e o Ministério da Previdência era vista como entrave à adoção de melhorias na gestão.
Em nota, o ministro agradeceu a contribuição do ex-presidente e deu as boas-vindas à sucessora. “Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás”, declarou.