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Economia

Com guerra, combustíveis em Natal têm volatilidade no mês de março

Levantamento do Procon aponta altas no meio do mês e recuo na última semana, com impacto do Brent e medidas federais
Elias Luz
01/04/2026 | 06:24

Os preços dos combustíveis em Natal apresentaram comportamento volátil ao longo de março, refletindo oscilações no mercado internacional de petróleo e ajustes pontuais no cenário doméstico. Levantamento do Procon Natal, realizado em quatro semanas consecutivas, mostra que, após uma trajetória de alta no meio do mês, os valores recuaram na última semana, amenizando parte das pressões observadas anteriormente.

O monitoramento, que abrangeu 40 postos distribuídos pelas quatro regiões da capital, indica que a dinâmica de preços foi influenciada principalmente pela cotação do petróleo tipo Brent, referência global, que atingiu US$ 115,13 no dia 30 de março, com avanço de 2,27% em relação à véspera, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Preços de gasolina sem imposto dia D (3)
Instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio trouxe alta de preços - Foto: José Aldenir/Agora RN

Na primeira semana do levantamento, em 9 de março, gasolina e diesel S-10 apresentavam preço médio de R$ 6,93. O etanol era comercializado a R$ 5,92, mesmo valor do GNV. Já na segunda semana, em 16 de março, houve aceleração dos preços: a gasolina avançou para R$ 7,33 e o diesel S-10 para R$ 7,32. O etanol registrou leve alta, a R$ 5,94, enquanto o GNV recuou para R$ 5,25.

O movimento de alta se intensificou na terceira semana, em 23 de março, quando a gasolina atingiu o pico do período, a R$ 7,38, e o diesel S-10 chegou a R$ 7,43. O etanol foi negociado a R$ 5,96, enquanto o GNV seguiu em queda, cotado a R$ 5,21.

Na última semana do mês, em 30 de março, os preços passaram por ajuste para baixo. A gasolina caiu para R$ 6,80, enquanto o diesel S-10 recuou para R$ 7,18. O etanol apresentou redução mais acentuada, para R$ 5,50, e o GNV foi vendido a R$ 5,17.

No acumulado do período, a gasolina registrou queda média de R$ 0,58 entre o pico e o valor final do mês. O diesel S-10 recuou R$ 0,25 no mesmo intervalo. O etanol acompanhou a tendência, com retração de até R$ 0,46 após elevações nas semanas intermediárias, enquanto o GNV apresentou trajetória descendente ao longo do mês.

No cenário nacional, a Petrobras promoveu, em 13 de março, reajuste de R$ 0,38 no preço do diesel para as distribuidoras, sem alteração oficial para a gasolina. Paralelamente, o governo federal adotou medidas com foco na redução de custos, como a Medida Provisória nº 1.340/2026, que incentiva a produção e a importação de diesel, além do Decreto nº 12.875, que trata da desoneração tributária. A expectativa é de redução potencial de até R$ 0,64 por litro ao consumidor final.

Além do acompanhamento de preços, o Procon Natal intensificou ações de fiscalização no período. Ao todo, 26 postos foram vistoriados após denúncias de consumidores. Durante as inspeções, foram realizados testes de aferição de volume — com padrão de 20 litros, conforme normas do Inmetro — e análise da qualidade dos combustíveis.

Segundo o órgão, não foram identificadas irregularidades nas medições ou na qualidade dos produtos. Ainda assim, os estabelecimentos foram notificados a apresentar documentação fiscal no prazo de dez dias.

O Procon orienta que consumidores realizem pesquisa prévia antes de abastecer e reforça a disponibilidade de canais para registro de denúncias em casos de preços considerados abusivos.

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