O número de apreensões de canetas emagrecedoras no Brasil registrou um crescimento expressivo nos últimos anos, refletindo o avanço do mercado irregular desses medicamentos e levantando preocupações sobre riscos à saúde pública. Dados da Receita Federal indicam que, apenas em 2025, foram recolhidas cerca de 32,9 mil unidades — volume mais de dez vezes superior ao registrado em anos anteriores.
Os produtos, utilizados para controle de peso e tratamento de diabetes, têm como base substâncias que atuam no metabolismo, como análogos do hormônio GLP-1. Apesar da eficácia reconhecida quando utilizados com prescrição médica e acompanhamento adequado, a entrada irregular dessas canetas no país ocorre sem controle sanitário, o que aumenta o risco para os consumidores.

Segundo a Receita Federal, grande parte das apreensões acontece em aeroportos e centros de distribuição de encomendas internacionais. Os medicamentos costumam ser transportados de forma inadequada, escondidos em bagagens ou disfarçados em objetos diversos, como embalagens de cosméticos, bichos de pelúcia e até equipamentos eletrônicos.
Além da irregularidade na entrada, outro ponto de atenção é o armazenamento. Esses medicamentos exigem controle rigoroso de temperatura para manter sua eficácia e segurança. No entanto, ao serem transportados fora das condições ideais, podem perder estabilidade e oferecer riscos à saúde de quem os utiliza.
Autoridades destacam que o aumento da demanda por esse tipo de produto tem impulsionado o comércio ilegal. O interesse crescente está relacionado à popularização das canetas emagrecedoras, amplamente divulgadas nas redes sociais e associadas à perda rápida de peso.
Mesmo com a facilidade de acesso no mercado informal, especialistas alertam que o uso sem orientação médica pode provocar efeitos adversos, como náuseas, alterações gastrointestinais e complicações metabólicas. Além disso, não há garantia sobre a procedência dos produtos comercializados ilegalmente. Outro fator que contribui para o crescimento das apreensões é a tentativa de driblar custos elevados. No mercado regular, esses medicamentos possuem preço elevado, o que leva parte dos consumidores a buscar alternativas mais baratas no exterior ou em canais não autorizados.
A Receita Federal também chama atenção para o uso de métodos cada vez mais sofisticados de ocultação. Em alguns casos, os produtos são enviados por meio de remessas internacionais fracionadas, dificultando a identificação pelas autoridades. Em outros, são transportados por passageiros, o que amplia a complexidade da fiscalização.
O avanço desse mercado irregular também evidencia desafios na regulação e no controle sanitário. A circulação de medicamentos sem registro ou sem condições adequadas de transporte compromete a segurança dos consumidores e pode gerar impactos mais amplos no sistema de saúde.
Além disso, o crescimento das apreensões revela uma mudança no perfil das mercadorias ilegais que entram no país. Produtos de alto valor agregado, como medicamentos e itens de saúde, passaram a ocupar espaço relevante entre os itens interceptados pelas autoridades.
Diante desse cenário, órgãos de fiscalização reforçam a importância de adquirir medicamentos apenas por canais autorizados e com prescrição médica. A orientação profissional é considerada fundamental para garantir o uso seguro e adequado desses produtos.
O aumento das apreensões também aponta para a necessidade de ações integradas entre diferentes órgãos, incluindo fiscalização, vigilância sanitária e campanhas de conscientização. A intenção é reduzir o consumo de produtos irregulares e ampliar a informação sobre os riscos envolvidos. Com a demanda ainda em alta e o mercado ilegal em expansão, a tendência é que as operações de fiscalização continuem intensificadas nos próximos anos.