O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira que o Exército israelense matou Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, em uma operação realizada na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do Irã. Até o momento, o governo iraniano não confirmou oficialmente a morte.
Segundo Katz, a ofensiva foi “precisa e letal” e teve como alvo Tangsiri e outros oficiais do comando naval. O ministro afirmou que a ação envia um recado direto à cúpula militar iraniana. “Os militares israelenses vão caçá-los e eliminá-los um por um”, declarou.

Tangsiri era apontado por Israel como responsável pela estratégia iraniana de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A interrupção do fluxo na região tem provocado impactos econômicos relevantes e ampliado o custo da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel.
De acordo com informações divulgadas, o comandante estava em um apartamento com outros integrantes da Guarda Revolucionária no momento do ataque. Caso confirmada, sua morte se somaria a outras eliminações de lideranças iranianas desde o início do conflito, incluindo figuras de alto escalão do regime.
Em resposta, a Guarda Revolucionária anunciou a 82ª fase de sua operação militar contra Israel e os Estados Unidos, com ataques envolvendo drones e mísseis contra alvos em Tel Aviv e bases americanas no Kuwait e na Arábia Saudita. Segundo a imprensa israelense, houve registros de explosões em diferentes pontos de Tel Aviv, com ao menos dois feridos.
As Forças Armadas de Israel informaram que sistemas de defesa aérea foram acionados para interceptar múltiplas ondas de mísseis lançadas do território iraniano. Sirenes de alerta soaram em diversas regiões do país, indicando a intensidade da ofensiva.
Nomeado para o comando naval da Guarda Revolucionária em 2018 pelo aiatolá Ali Khamenei, Tangsiri era uma figura central na estratégia militar iraniana no Golfo Pérsico. Ele supervisionava testes de drones e mísseis de cruzeiro e tinha atuação ativa nas redes sociais, onde defendia o bloqueio do Estreito de Ormuz e ameaçava infraestruturas energéticas ligadas aos Estados Unidos.
O episódio ocorre em um momento de impasse diplomático. O governo iraniano rejeitou recentemente um plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar o conflito. Teerã condiciona qualquer cessar-fogo ao cumprimento de exigências, incluindo reparações de guerra e reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, Washington reforçou sua presença militar na região, com o envio adicional de cerca de 2 mil soldados, sinalizando preparação para a continuidade dos combates. Em paralelo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, orientou as Forças Armadas a intensificar ataques à infraestrutura militar iraniana, em meio à avaliação de que o conflito pode ser encerrado antes da conclusão dos objetivos estratégicos israelenses.
A combinação de ofensivas militares, bloqueios estratégicos e ausência de avanços diplomáticos amplia a incerteza sobre o fornecimento global de energia e reforça o risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio.