Uma terceira morte passou a integrar as investigações sobre o caso envolvendo o Centro de Diálise de Mossoró (CDM), interditado após o óbito de duas pacientes durante sessões de hemodiálise. A nova ocorrência foi registrada com uma paciente que passou mal no município de Grossos e morreu durante transferência para Mossoró. Até o momento, a Polícia Civil afirma que não há indícios de relação direta entre essa morte e o procedimento realizado na clínica.
Os dois primeiros óbitos aconteceram na terça-feira 24, durante sessões de hemodiálise na unidade conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS). As vítimas foram identificadas como Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iracy Inácio de Lima, de 75, ambas em tratamento há anos.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), a terceira paciente era vinculada à clínica, mas não estava em atendimento no momento em que passou mal. A pasta informou que as circunstâncias da morte ainda estão sendo investigadas.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e aguarda laudos técnicos. A perícia criminal trabalha com a hipótese inicial de possível intoxicação por componente externo no sistema de hemodiálise. “A princípio, o entendimento que a perícia teve é que havia uma intoxicação por algum componente externo dentro do sistema de hemodiálise”, afirmou o perito Clélio, da Polícia Científica.
Durante a vistoria, foram recolhidos filtros de osmose e um dialisador utilizado por uma das vítimas, que estava descartado no lixo da unidade. O material foi encaminhado para análise toxicológica em Natal. A investigação também considera outras possibilidades, como presença de substâncias químicas, metais ou falhas no processo.
A Vigilância Sanitária municipal e estadual realizou inspeções consecutivas na clínica e informou que nenhuma hipótese foi descartada, incluindo a qualidade da água utilizada na diálise.
Diante dos óbitos, a Sesap determinou a interdição cautelar do CDM e iniciou a transferência dos pacientes para outras unidades em Mossoró e cidades da região, como Caicó. A clínica atendia 224 pacientes, a maioria pelo SUS.
O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, afirmou que a medida busca evitar novos riscos enquanto as causas são esclarecidas. “Orientamos a interdição cautelar para garantir que a gente não tenha nenhum problema maior durante esses dias”, disse.
As investigações seguem em andamento, e os laudos periciais devem indicar se há relação entre as mortes e possíveis falhas no serviço de hemodiálise.