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Esportes

Austrália concede asilo a jogadoras da seleção feminina do Irã após apelo de Trump

Cinco atletas pediram proteção por temer perseguição em seu país; decisão veio após conversa entre o presidente dos EUA e o primeiro-ministro australiano
Por O Correio de Hoje
10/03/2026 | 10:37

A Austrália concedeu vistos para que cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã permaneçam no país após elas solicitarem asilo por medo de perseguição ao retornarem para sua nação de origem.

A decisão foi anunciada pelo ministro do Interior australiano, Tony Burke, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a possibilidade de deportação das atletas e pediu ao governo australiano que lhes concedesse proteção. Segundo Trump, permitir o retorno das jogadoras ao Irã seria um “terrível erro humanitário”.

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Jogadoras de futebol do Irã com o ministro do Interior australiano, Tony Burke - Foto: X / Reprodução

Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, e elogiou a condução do caso. Trump disse que Albanese estava “fazendo um ótimo trabalho lidando com essa situação bastante delicada”.

As atletas estavam na Austrália para disputar a Copa da Ásia feminina de futebol. A participação da seleção iraniana no torneio coincidiu com um momento de forte tensão no Oriente Médio, iniciado quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques aéreos contra o Irã que resultaram na morte do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei.

A equipe iraniana foi eliminada da competição no domingo 8, após derrota por 2 a 0 para as Filipinas.

Além das cinco jogadoras que receberam vistos, as demais integrantes da delegação, hospedadas em um hotel na cidade de Gold Coast, também receberam a oferta de vistos para permanecer no país.

A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que as cinco atletas deixaram secretamente o hotel da equipe na Austrália acompanhadas por policiais locais. Segundo relatos da imprensa, elas buscavam assistência do governo australiano após se afastarem da delegação.

A FIFPRO, sindicato global dos jogadores de futebol, também manifestou preocupação com a segurança das atletas. A entidade afirmou que havia sérias dúvidas sobre o bem-estar da seleção depois que as jogadoras passaram a ser chamadas de “traidoras em tempos de guerra” por se recusarem a cantar o hino nacional antes de uma partida.

O protesto ocorreu antes do jogo de estreia contra a Coreia do Sul, quando as atletas permaneceram em silêncio durante a execução do hino iraniano. Um comentarista da televisão estatal do Irã classificou a atitude como o “ápice da desonra”.

A imprensa iraniana citou declarações de Farideh Shojaei, vice-presidente para assuntos femininos da Federação Iraniana de Futebol, afirmando que as jogadoras deixaram o hotel pela porta dos fundos com acompanhamento policial.

Segundo ela, autoridades iranianas tentaram localizar as atletas e buscar esclarecimentos sobre o ocorrido. Shojaei disse que contatos foram feitos com a embaixada, a federação de futebol e o Ministério das Relações Exteriores do país. Ela acrescentou que também houve conversas com familiares das jogadoras.

A mídia iraniana identificou as cinco atletas como Zahra Sarbali, Mona Hamoudi, Zahra Ghanbari, Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramazani-Zadeh.

Outros membros da delegação continuam na Austrália. De acordo com Shojaei, o grupo pretendia retornar ao Irã fazendo escala em Dubai, mas os Emirados Árabes Unidos não autorizaram a passagem da equipe.

A alternativa em estudo agora seria organizar o retorno por meio de rotas que incluam Malásia e Turquia.

Na segunda partida do torneio, contra a seleção da Austrália, as jogadoras iranianas cantaram o hino nacional e fizeram uma saudação militar antes do início do jogo. O gesto levantou suspeitas entre ativistas de direitos humanos, que temeram que as atletas tivessem sido pressionadas por representantes do governo iraniano.

A concessão de vistos humanitários a atletas estrangeiras não é inédita na Austrália. Em 2021, o país ofereceu proteção emergencial a mais de 20 integrantes da seleção feminina de críquete do Afeganistão após a retomada do poder pelo Talibã.