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Animação

Arco resgata a animação 2D para contar ficção científica incomum

Ambientado em 2075, filme aposta na animação desenhada à mão e acompanha a amizade entre duas crianças que embarcam em uma aventura para devolver um garoto ao seu próprio tempo
Por O Correio de Hoje
09/03/2026 | 17:31

Ambientada no ano de 2075, a história acompanha Arco, um garoto de dez anos que acaba encontrando Iris em circunstâncias inesperadas. A amizade entre os dois se forma rapidamente. Com a ajuda de Mikki, um robô curioso, eles embarcam numa jornada para devolver Arco ao seu próprio tempo.

A trama é simples, mas o tom é deliberadamente esperançoso. Bienvenu, que também trabalha como ilustrador e autor de ficção científica, explica que a ideia surgiu durante a pandemia, quando pensava sobre o tipo de legado que gostaria de deixar. Em vez de alimentar o pessimismo, decidiu explorar uma narrativa que sugerisse possibilidades melhores para o futuro.

arco
Animação acompanha a amizade entre um garoto do futuro e uma jovem do presente - Foto: Reprodução

Segundo ele, a ficção científica sempre ajudou a moldar nossa visão do mundo que viria. Agora, argumenta o diretor, talvez seja hora de imaginar cenários mais generosos — e não apenas prever catástrofes.

O projeto ganhou força quando a atriz e produtora Natalie Portman conheceu o material original e se interessou pela adaptação. Ela conta que o que mais a impressionou foi a honestidade da abordagem: o filme não ignora os desafios do presente, mas escolhe encará-los sem cinismo.

“Existem ameaças muito reais no mundo atual”, afirma Portman. “Mas ainda depositamos muita confiança na criatividade humana para encontrar soluções.”

Além do tema, a estética também chama atenção. Em um período dominado por animações digitais tridimensionais, “Arco” aposta na animação desenhada à mão. Para Bienvenu, essa escolha não é apenas técnica, mas também emocional: o traço manual, diz ele, carrega uma fragilidade e uma sensibilidade que combinam com a história.

A decisão também funciona como uma espécie de manifesto. Para muitos profissionais da área, a animação 2D corre o risco de desaparecer diante da predominância do 3D. Preservar essa forma de produção, defendem, é preservar uma linguagem artística inteira.

Visualmente, o filme se aproxima de uma pintura em movimento. As cores são intensas, os contornos são expressivos e cada quadro lembra a tradição de ilustrações impressionistas.

O resultado é uma obra que mistura nostalgia e futuro — e que aposta na imaginação como ferramenta para pensar caminhos possíveis.