Ambientada no ano de 2075, a história acompanha Arco, um garoto de dez anos que acaba encontrando Iris em circunstâncias inesperadas. A amizade entre os dois se forma rapidamente. Com a ajuda de Mikki, um robô curioso, eles embarcam numa jornada para devolver Arco ao seu próprio tempo.
A trama é simples, mas o tom é deliberadamente esperançoso. Bienvenu, que também trabalha como ilustrador e autor de ficção científica, explica que a ideia surgiu durante a pandemia, quando pensava sobre o tipo de legado que gostaria de deixar. Em vez de alimentar o pessimismo, decidiu explorar uma narrativa que sugerisse possibilidades melhores para o futuro.

Segundo ele, a ficção científica sempre ajudou a moldar nossa visão do mundo que viria. Agora, argumenta o diretor, talvez seja hora de imaginar cenários mais generosos — e não apenas prever catástrofes.
O projeto ganhou força quando a atriz e produtora Natalie Portman conheceu o material original e se interessou pela adaptação. Ela conta que o que mais a impressionou foi a honestidade da abordagem: o filme não ignora os desafios do presente, mas escolhe encará-los sem cinismo.
“Existem ameaças muito reais no mundo atual”, afirma Portman. “Mas ainda depositamos muita confiança na criatividade humana para encontrar soluções.”
Além do tema, a estética também chama atenção. Em um período dominado por animações digitais tridimensionais, “Arco” aposta na animação desenhada à mão. Para Bienvenu, essa escolha não é apenas técnica, mas também emocional: o traço manual, diz ele, carrega uma fragilidade e uma sensibilidade que combinam com a história.
A decisão também funciona como uma espécie de manifesto. Para muitos profissionais da área, a animação 2D corre o risco de desaparecer diante da predominância do 3D. Preservar essa forma de produção, defendem, é preservar uma linguagem artística inteira.
Visualmente, o filme se aproxima de uma pintura em movimento. As cores são intensas, os contornos são expressivos e cada quadro lembra a tradição de ilustrações impressionistas.
O resultado é uma obra que mistura nostalgia e futuro — e que aposta na imaginação como ferramenta para pensar caminhos possíveis.