BUSCAR
BUSCAR
Moradia
Venezuelanos pedem melhores condições de alojamento em Natal
Famílias de refugiados venezuelanos pedem que estrutura oferecida como abrigo fosse melhorada para o grupo que atualmente ocupa espaço
Redação
21/12/2020 | 06:25

Cerca de 30 famílias refugiadas da Venezuela estão abrigadas no Centro de Acolhida e Referência para Refugiados, Apátridas e Migrantes (CARE) localizado na Avenida Antônio Basílio, no bairro de Dix-Sept Rosado, na Zona Oeste de Natal. O lugar foi disponibilizado pelo governo do Rio Grande do Norte e se encontra em uma situação precária.

Ao entrar no abrigo, chama atenção a grande quantidade de lixo, misturados com os brinquedos das crianças, e muitas moscas que rondam um esgoto a céu aberto no centro do local, que precisa ser esvaziado com frequência.

O presidente do Comitê Estadual Intersetorial de Atenção aos Refugiados, Apátridas, e Migrantes do RN (CERAM), Thales Dantas, afirma que há um trabalho para mudar as famílias para um lugar melhor por meio do aluguel social, mas a maior dificuldade que enfrenta atualmente é a xenofobia.

“Atualmente somente cinco famílias estão alojadas em outras casas. Quando os proprietários das casas que tentamos alugar sabem que é para refugiados venezuelanos, desistem. Há muito preconceito, está complicado de conseguir, ainda não temos um prazo”, lamenta.

Um dos moradores do centro de refugiados é o venezuelano Edgar González, que apesar da situação difícil não deixa a animação de lado, gosta de dançar e cantar. Ele diz que, na verdade, não gostaria de se mudar do abrigo, mas sim que a estrutura fosse melhorada para eles. “Não queremos outro abrigo, eu gosto daqui. Queremos ficar juntos, queremos dormir juntos. O governo quer que a gente mude para a Zona Norte; é muito longe”, explica.

Além do problema da moradia, outra questão que precisa ser resolvida é a regulamentação do protocolo de refúgio, um visto que serve como documento de identidade para os refugiados e possibilita o acesso a alguns serviços, como o recebimento da Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Carteira de Trabalho, Cadastro de Pessoa Física (CPF).

A Secretária Municipal de Trabalho e Assistência Social (SEMTAS) disponibilizou estrutura aos refugiados venezuelanos para a regulamentação dessa documentação, desde o dia 7 de dezembro até esta sexta-feira, 18, e atendeu cerca de 10 pessoas por dia, cadastrando um total de 107 refugiados que estavam com a documentação desatualizada.

No entanto, nem todos tiveram acesso à essa atualização do cadastro, que precisa ser feita pela internet. O próprio González, que tem três filhos crianças, relata que está há 10 meses sem receber a Bolsa Família por conta da desatualização no protocolo de refúgio. “Quero saber como é o projeto, não podemos mais pedir dinheiro. Três famílias aqui estão sem receber Bolsa Família. Nós enviamos dinheiro para a família na Venezuela, cerca de 400 reais por mês para tentar ajudar porque tem crianças morrendo de fome”.

Na última sexta-feira 18 foi celebrado o Dia Internacional do Migrante. O CERAM lançou a consulta pública do 1º Plano Estadual de Atenção aos Refugiados, Apátridas e Migrantes do Rio Grande do Norte (2021-2024), que vai durar até o dia 18 de janeiro de 2021, e contou uma capacitação com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) com servidores da Saúde e Assistência Social de Natal e do estado.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.