O movimento de aceitação e valorização dos cabelos naturais tomou corpo nos últimos anos. Celebridades como Taís Araújo, Juliana Paes e Maisa Silva vem embarcando na proposta de manter cachos e fios crespos longe da química. Porém, o uso de químicos para deixar os cabelos lisos continua sendo utilizado em alguns locais e causando danos por vezes irreversíveis.
O formol, quando utilizado nos alisamentos capilares, pode entrar na corrente sanguínea, afetar o coração, fígado, olhos e sistema circulatório, podendo causar cegueira e até morte súbita. Embora o uso da substância tenha restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido aos riscos causados à saúde, o composto ainda é utilizado em procedimentos para alisar o cabelo. Na última semana, uma paranaense sofreu parada cardiorrespiratória após fazer uma escova progressiva. A mulher ficou internada por três dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Os procedimentos à base de formol com proposta de alisamento capilar mais utilizados são as escovas progressiva ou definitiva, a inteligente, de chocolate e o botox capilar. Adicionar o formol a esses produtos é infração sanitária (adulteração ou falsificação) e crime hediondo, de acordo com o art. 273 do Código Penal. No entanto, nos cosméticos, incluindo os destinados a alisar o cabelo, a Anvisa permite apenas a concentração de até 0,2%, percentual. Mas, segundo o dermatologista Dimitri Luz, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), atualmente, não existe uma maneira segura ou legal de alisar os fios capilares com procedimentos à base de formol.
“Isso porque uma concentração de 0,2% de formol pode ser encontrada e permitida pela Anvisa nos produtos cosméticos e capilares, maior do que isso não é liberado. E essa qualidade não é suficiente para realizar um alisamento”, reafirma o médico. A Anvisa ainda permite o uso de concentração de 5% da substância em produtos endurecedores de unhas.
Complicações
As principais complicações à saúde do corpo, relacionadas à aplicação de alisante capilar com formol, ocorrem com a inalação ou quando a substância absorvida pelo couro cabeludo entra na corrente sanguínea e ataca órgãos, a exemplo do coração, provocando cardiotoxicidade, aumento do coração, redução da frequência cardíaca e até morte súbita.
Para além dos danos ao coração, o percurso feito pelo formol nas vias sanguíneas é uma ameaça à saúde do fígado, dos olhos e da circulação. A alta toxicidade do produto pode desencandear hepatite, intoxicação, aumento do órgão e, com a frequente reaplicação do alisamento, é possível que se desenvolvam células cancerígenas no aparelho respiratório e até mesmo a leucemia.
Nos olhos, o dermatologista destaca irritação, coceira, vermelhidão, dor, lacrimejamento, embasamento da vista e o alto grau de toxicidade, o que pode causar cegueira irreversível.
“Na circulação, os sintomas são mais sistêmicos e imediatos, sendo eles, mal-estar generalizado, incluindo quadro gripal, tosse, espirro, febre e náuseas”, complementa Dimitri Luz.”A absorção da toxicidade do formol pelo corpo é facilitada pela vascularização própria do couro cabeludo. Quando a substância alcança a corrente sanguínea, os prejuízos à saúde, em alguns casos, se tornam irreversíveis”, pontua o médico.
Contato com a pele
No contato direto com a pele, seja ela do couro cabeludo ou de qualquer parte do corpo, o composto pode provocar dois tipos de dermatites: irritativa e alérgica. A irritativa, uma queimadura local, pode acontecer logo na primeira aplicação, provocando quebra e queda do cabelo. Já a alérgica, ocorre por sensibilidade ao reagente. Portanto, é possível que o ato de reaplicar o procedimento gere o desenvolvimento de uma alergia.
Os danos à saúde do corpo ocasionados pelo uso de alisantes com formol são graves, porém, o dermatologista lembra, a resposta à toxicidade do produto acontece de maneira diferenciada. “Cada individuo é único. Pode ser que uma determinada pessoa faça uma intoxicação logo de cara, por ela ter o organismo mais predisposto à reação. Como é possível que na primeira aplicação a pessoa passe ilesa e, somente a partir da exposição frequente a esse tipo de reagente, ela passe a apresentar intoxicação com resultados graves”, ressalta.
Segura e legal
Outro alerta do dermatologista Dimitri Luz está relacionado à composição dos produtos. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que, antes de adquirir ou autorizar a utilização do produto, verifique-se as informações sobre o conteúdo da fórmula expostas na embalagem. Caso tenha a indicação de formol, o ideal é verificar se o produto tem o selo de aprovação que pode ser consultado no site da Anvisa.
De acordo com a Resolução RDC nº 36, da Anvisa, é proibida a venda do formol em drogarias, farmácias, supermercados e lojas de conveniência. A medida, estabelecida em junho de 2009 tem o objetivo de restringir o uso da substância como alisante capilar. Para conferir os alisantes capilares liberados pela Anvisa, acesse o guia do formol no site www.sbd.org.br.
*Com informações do Diário do Nordeste