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Mundo

Trump diz que Irã aceita entregar urânio enriquecido e negociações avançam

Declaração ocorre em meio a cessar-fogo e cenário de incerteza sobre desfecho do conflito
Por O Correio de Hoje
17/04/2026 | 15:09

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã concordou em entregar seu estoque de urânio enriquecido, um dos pontos centrais nas negociações para encerrar o atual conflito no Oriente Médio.

Segundo ele, os dois países estão “muito próximos” de um acordo e as conversas podem ser retomadas ainda neste fim de semana.

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Analistas apontam possíveis desdobramentos entre diplomacia, escalada controlada e impasse prolongado - Foto: Reprodução

A declaração ocorre em meio a um cessar-fogo que deve expirar no início da próxima semana e cuja renovação, segundo Trump, pode não ser necessária diante do avanço das negociações.

O governo iraniano, no entanto, não comentou as afirmações, mantendo o cenário de incerteza.

O diálogo mais recente entre os dois países, realizado no Paquistão no fim de semana anterior, terminou sem avanços concretos, evidenciando a distância entre as posições.

Diante desse contexto, especialistas apontam quatro cenários possíveis para o desdobramento da crise, marcada por uma combinação de tensões militares e tentativas diplomáticas.

O primeiro cenário considera a manutenção de um cessar-fogo frágil, interpretado por analistas como uma pausa estratégica.

Divergências sobre os termos da trégua, incluindo definição de violações e escopo geográfico, têm alimentado desconfiança entre as partes.

Nesse ambiente, há risco de retomada de ataques, inclusive a infraestruturas críticas, caso uma das partes avalie que a negociação não gera ganhos suficientes.

Uma segunda possibilidade é a continuidade de uma “guerra nas sombras”, caracterizada por confrontos indiretos e escalada controlada.

Nesse modelo, ataques pontuais e ações de grupos aliados ao Irã em regiões como Iraque e Mar Vermelho poderiam intensificar a pressão sem desencadear uma guerra aberta.

O risco, segundo analistas, reside em erros de cálculo que podem ampliar o conflito de forma inesperada.

O terceiro cenário aponta para a continuidade da diplomacia, ainda que de forma discreta.

Países como Paquistão, Catar, Omã e Arábia Saudita tendem a atuar como mediadores para manter canais de diálogo abertos.

Apesar disso, propostas divergentes — como um plano de 15 pontos apresentado pelos EUA e uma contraproposta iraniana — indicam que um acordo abrangente no curto prazo é improvável.

Por fim, há a possibilidade de um bloqueio naval prolongado por parte dos Estados Unidos, com foco em restringir as exportações de petróleo do Irã.

A estratégia, que envolve o controle do Estreito de Ormuz, poderia pressionar a economia iraniana, mas também elevar riscos geopolíticos e custos operacionais, além de impactar os preços globais de energia.

O conjunto desses cenários aponta para um ambiente de “zona cinzenta”, no qual guerra e negociação coexistem.

Mesmo com sinais pontuais de avanço, como as declarações de Trump, analistas avaliam que o conflito tende a permanecer em um estado de instabilidade estrutural, com desfecho ainda imprevisível no curto prazo.